quinta-feira, agosto 28, 2008

New Chapter
Depois da "Battle of the sexes" como muito bem referiu a minha Amiga V., venho hoje aqui por outros motivos. Vi há pouco a entrevista do Nelson Évora no jornal da SIC e fiquei impressionada com a simpatia, a humildade, o profissionalismo, o bom carácter e bons valores deste jovem atleta português. Ele é, sem dúvida, um exemplo para as gerações mais novas, mas é também um exemplo para as restantes gerações.
A simpatia é algo que ou é inato nas pessoas ou não é, mas nunca deve ser forçado, porque soa sempre a falso. Eu prefiro um autêntico antipático do que um falso simpático...
A humildade constitui uma atitude perante a vida e perante os outros que muito pouca gente tem. E atenção que humildade não é antónimo de ambição ou de alcançar objectivos, pois o Nelson demonstrou muito bem que uma coisa não é incompatível com a outra. Aliás, na minha modesta opinião, uma pessoa quando tem consciência do seu verdadeiro valor não precisa de se exibir por causa disso. Ela própria reconhece-o e isso basta. Não precisa do reconhecimento de mais ninguém. Mas infelizmente, por esse mundo fora, o que não falta são pessoas que fazem questão do "eu sou, eu faço, eu aconteço"...
Em relação ao profissionalismo, será escusado tecer grandes comentários. As pessoas devem ser profissionais e ter brio naquilo que fazem, mesmo quando não têm a profissão que sempre almejaram. Eu tive empregos que nada tinham a ver com a minha formação e vocação, mas isso não serviu de "desculpa" para ser má profissional.
Quanto ao bom carácter e aos bons valores, uma coisa está intricada com a outra, ou seja, normalmente quando uma pessoa tem bom carácter tem bons valores e vice-versa. Os pais e a família têm um papel fundamental nesse aspecto, mas mais uma vez o facto de se ter uma família menos "favorável" não deve servir de desculpa para sermos mal educados e rudes. Nós não aprendemos só com a família, mas com todos os que nos rodeiam e ainda subsistem bons exemplos por aí, felizmente.
Parabéns, Nelson, pela medalha que ganhaste, mas, sobretudo, pela pessoa que és!
E com esta termino (parecia que estava possuída pelo demónio para carregar com tanta imagem)!
E mais isto...
Ainda no seguimento dos posts anteriores, não resisto a publicar isto...
No seguimento do post anterior, acho que é pertinente colocar o texto que se segue e que foi enviado por email pelo meu Amigo C.
REGRAS DE UM RELACIONAMENTO EQUILIBRADO.
Um casal recém casado vai viver em sua nova casa. O homem diz:
- Se quer viver comigo, as regras são: 1) Segundas e terças-feiras à noite vou tomar café com os amigos; 2) Quartas-feiras à noite cinema com o pessoal; 3) Quintas, sextas à noite, cerveja com os colegas; 4) Sábados, pescaria com a turma, retornando domingo pela manhã; 5) E, aos domingos, deito cedo para descansar. Se quer... Quer... Se não quer... Azar!
Então a mulher responde:
- Pra mim só existe uma regra: Aqui em casa tem sexo todas as noites. Quem está, está. Quem não está... Azar!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, agosto 27, 2008

Os solteiros são mais felizes
Não sou eu que o digo (embora o pudesse dizer com conhecimento de causa), mas sim um psicoterapeuta brasileiro (Flávio Gikovate) numa entrevista que deu à revista Sábado e que a minha Amiga F. partilhou comigo.
Este senhor, que parece ser uma pessoa com a cabeça muito bem "arrumada" (também quero ser assim quando chegar aos 65 anos de idade!), conseguiu passar para o papel o que muitos de nós se têm vindo a aperceber, i.e., de que as relações amorosas estão a mudar, em consequência de um novo estilo de vida que está a emergir no mundo moderno.
Como a entrevista é por demais interessante, vou transcrever aqui algumas passagens e cada um, na sua consciência, fará o juízo de valor que lhe aprouver. Se quiserem partilhá-lo comigo, já sabem, sou toda "ouvidos" ;)
O Sr. Flávio Gikovate defende que "amor e romantismo são conceitos que não encaixam no mundo moderno" e explica porquê: "o amor romântico (...) é incompatível com o desejo crescente de individualismo"; "Antes, o amor ganhava à individualidade porque não havia o que fazer com a individualidade. Hoje (...) a individualidade é tão preciosa que ninguém quer (e não deve) abrir mão dela para viver com alguém". O psicoterapeuta acrescenta que "Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva".
À pergunta "Os solteiros são mais felizes?", Flávio responde "São mais felizes que os mal casados. (...) Hoje (...) o mundo é mais favorável aos solteiros. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Pelo contrário, dá dignidade à pessoa (ufa, assim já estou mais descansada!). As boas relações afectivas são parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada a ninguém e ambos crescem".
Quanto aos "mal casados", o psicoterapeuta esclarece: "é muito perigoso depender de terceiros para ser feliz". No seu entender, essa "é uma luta individual".
De seguida, Flávio faz umas afirmações muito curiosas:
1. "No mundo moderno, os homens já não serão protectores, mas sim companheiros de viagem".
2. "Desde o nascimento, temos a impressão de ser uma "metade" (...). Temos de entender que não somos uma metade. No mundo moderno, o amor como remédio não funciona".
À pergunta "E porque é que tantas pessoas se casam várias vezes sem nunca acertar?", a resposta dada pelo psicoterapeuta brasileiro é "Porque insistem na ideia do amor romântico, que une duas metades incompletas, o que é um erro".
De seguida, Flávio faz mais umas afirmações brilhantes:
1. "É preciso conhecer-se a si mesmo e ser capaz de viver sozinho".
2. "Amor significa aconchego físico (pois significa, e é mesmo disso que estou a precisar, mas chiu, não se chibem a ninguém, hein?), amizade é afinidade intelectual".
Em relação às vantagens de as pessoas viverem em casas separadas para não interferirem na liberdade de cada um, Flávio enumera-as: avanço moral, avanço da capacidade de viver sozinho, aprender a resolver a situação de incompletude em si mesmo (...)".
E eis que chegamos à minha afirmação favorita: "individualismo não é egoísmo" (o sublinhado é meu, e quero destacar bem esta ideia, porque muitas vezes nós, os solteiros, somos acusados de sermos pessoas egoístas).
Flávio enuncia em seguida as características de um "relacionamento maduro, com qualidade": "Lealdade, cumplicidade, respeito pelo outro".
Por fim, eis senão quando leio uma frase que contraria a velha máxima "os opostos atraem-se". Flávio afirma peremptoriamente o contrário, ao dizer "A união tem de acontecer entre pessoas semelhantes, com os mesmos planos e projectos" (e como ele tem razão! Não foi à toa que eu terminei um relacionamento de quase 10 anos, mas isso são contas de outro rosário).
De tudo o que afirmou este psicoterapeuta brasileiro na entrevista à Sábado, gostaria de salientar duas ideias. Por um lado, a ideia de que no mundo actual não se pode ver o amor como um remédio para os nossos males. Já estamos numa fase da existência e da evolução humanas em que estamos mais "crescidinhos" e não devemos fazer as coisas por impulso, mas sim de forma consciente, i.e., pensada, reflectida, ponderada. Por outro lado, a ideia de que a felicidade é uma luta individual, ou seja, uma luta interior que não deve depender dos outros (e não é uma tarefa fácil, posso assegurar-vos). Sempre achei que nesta vida devemos ser autónomos ao máximo e em tudo (até na busca da felicidade), mas isso não significa que nos isolemos do resto do mundo. Temos é de crescer interiormente primeiro para depois conseguirmos relacionarmo-nos com sucesso com esse mesmo mundo - não sei se me fiz entender, nem se o que estou a dizer faz algum sentido... Whatever!

segunda-feira, agosto 25, 2008

Mea Culpa

A fauna humana em geral é muito interessante, mas a fauna humana portuguesa, em particular, é ainda mais interessante. Nós, portugueses, sofremos do síndroma de nos criticarmos a nós próprios e de elogiarmos constantemente o que é estrangeiro. "Lá fora é que é bom" ouve-se dizer da boca de muita gente (eu própria já disse/digo isto).

Ora, acho que está na altura de todos nós fazermos um mea culpa e em vez de ficarmos só pelas palavras/críticas passarmos à acção. Talvez fosse boa ideia cada um de nós pensar "O que é que posso fazer para melhorar o país?". É claro que é muito mais fácil criticar e apontar os defeitos (que são muitos, é verdade) do que agir e mudar o que está mal; é mais fácil "fugir" para o estrangeiro porque "o país já não tem solução", "não vale a pena", "aqui não se consegue evoluir", "eu sou bom/boa demais para estar aqui"; é mais fácil atirar as culpas pra cima dos outros, embora todos tenhamos culpas no cartório. Sim, todos, mesmo as mentes mais "iluminadas", eu atrever-me-ia a dizer, sobretudo as mentes mais "iluminadas", aquelas que puderam prosseguir os estudos e que ganham um ordenado acima da média. Temos de ser realistas: não são as pessoas que têm pouca instrução (algumas porque não se quiseram dar ao trabalho, é certo, mas outras porque as circunstâncias da vida não o permitiram) e que recebem o ordenado mínimo nacional que vão operar as mudanças (tão necessárias!) neste país - sobretudo, as de mentalidade que, a meu ver, são as mais prementes. Essas pessoas podem e devem contribuir, mas o exemplo tem de vir daqueles que têm consciência da realidade e que se encontram mais apetrechados para levar a cabo essa transformação.

Reiterando as minhas próprias palavras proferidas em posts anteriores... Nunca fui adepta do facilitismo, e sei que é difícil remar contra a maré, por isso mesmo é que aqui é o lugar ideal para se fazer alguma coisa de significativo. Aqui, onde as condições são adversas, e não onde nos dão todas as condições e mais algumas. Aqui é que se colocam os verdadeiros desafios. Falta saber se estaremos à altura de os enfrentar (i.e., se teremos a coragem e/ou a paciência)...

sábado, agosto 23, 2008

Admirável mundo virtual
Há-os singulares ou colectivos, femininos, masculinos, gay, lesbian. Há-os simples ou elaborados, com ligações a outros admiráveis mundos virtuais. Há-os temáticos, de tom confessional, de crítica social, de índole intelectual. Há-os divertidos, sérios, dramáticos, polémicos, irónicos e inconstantes. Há-os unilaterais ou dialogais. Há-os meramente textuais ou mesclados com som e imagens. Há-os de todos os tipos e para todos os gostos. Têm em comum o facto de serem o reflexo dos diferentes mundos que habitam o interior de diferentes seres. Sejam bem-vindos ao admirável mundo da blogosfera.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Things to Make and Do

Voz da consciência: Você há muito tempo que não publicava nada por estas bandas...

Eu própria: É um facto. Sabe como é, vêm as férias e ficamos inevitavelmente preguiçosos. Para além disso, também não tenho andado muito inspirada, ou melhor, motivada e como não quero defraudar as expectativas dos (poucos, em quantidade, mas bons, em qualidade) leitores deste blog, achei melhor estar quieta... Às vezes, quando não sabemos o que dizer ou como dizer, mais vale estar calado, não concorda?

Voz da consciência: Isso é subjectivo... Mas diga-me, a que se deve a sua falta de motivação?

Eu própria: A nada e a tudo.

Voz da consciência: Como assim? Pode explicar melhor?

Eu própria: Não, não posso. Há coisas que são só pra nós, ou você é daquelas que diz tudo a toda a gente?

Voz da consciência: Não, só costumo dizer o que é necessário e apenas a uma pessoa.

Eu própria: Ora aí está uma atitude inteligente! E agora se não se importa, vou andando, tenho umas coisas para fazer...

Voz da consciência: Com certeza, esteja à vontade. Então, até à próxima!

Eu própria: Adeus, até à próxima!

Eu própria vira as costas e à medida que se afasta pensa pros seus botões Chiça, esta gaja é uma chata do caraças! Espero não vê-la tão depressa! ...........................................................................................................................................................................

Após este breve intróito de puro non sense, agora sim, retomo a minha actividade de bloguista neste dia 21 de Agosto que mais parece que estamos no Outono... São vários os assuntos que me trazem aqui hoje, por isso é melhor começar já.

  1. Jogos Olímpicos: é certo que a prestação dos atletas portugueses não é a melhor de sempre e também é certo que um atleta não deve ser preparado só a nível físico, mas também a nível mental... A sensação que me dá é que os nossos atletas até são bastantes bons, tendo em conta as condições que eles têm a comparar, por exemplo, com os atletas dos EUA ou da Austrália e afins. Ainda há muitos atletas portugueses que não são profissionais (têm outras profissões e treinam nas horas vagas). Por isso, quanto a mim, há coisas que têm de ser melhoradas, mas neste momento o que tem mesmo de ser trabalhado (e muito) é a preparação mental dos atletas para saberem enfrentar situações de alta competição e não se deixarem intimidar ou com a quantidade de público, ou com os adversários que se sabe à partida que são mais fortes... Eu não percebo nada de desporto de alta competição, mas um atleta tem de estar preparado e não usar como "desculpa" os "nervos" ou as decisões desfavoráveis dos juízes, nem tão pouco fazer afirmações inusitadas como "De manhã eu gosto é de estar na caminha". Isso gostamos todos, mas alguém tem coragem de dizer isso ao respectivo patrão? Ele(a) desatar-se-ia a rir na nossa cara e punha-nos a andar em três tempos... Isto cheira-me um pouco a falta de profissionalismo... Por falar nisso...
  2. Falta de profissionalismo: é como uma praga. Tem-se instalado aos poucos mas já se começa a notar e está por todo o lado. Há casos relatados nos jornais e na televisão, mas o pior é quando temos de lidar com esta falta de profissionalismo quase diariamente. Muitas vezes está associada a uma má formação intrínseca.
  3. A revolução dos sexos: acho que a velhinha guerra dos sexos faz cada vez menos sentido. Hoje, é ver mulheres que parecem homens, quer fisíca, quer psicologicamente (e é pena que se esteja a perder a feminilidade de outras eras); por outro lado, é ver homens que andam mais depilados e mais perfumados do que algumas mulheres (e que perdem o mesmo número de horas nas lojas da roupa como é apanágio do sexo feminino), ao mesmo tempo que o cavalheirismo é algo que pertence cada vez mais ao passado... Acho que as pessoas devem fazer aquilo que bem lhes aprouver, mas não deixa de ser um bocado confuso. Sinais dos tempos, n'est-ce pas?

E enquanto terminava este post, o Nelson Évora ganhou a medalha de ouro ao vencer no triplo salto com a marca de 17.64 metros. Yehhhhhhh! Parabéns, Nelson, bem mereces!

sábado, junho 28, 2008

"A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo"
Nelson Mandela
Não posso estar mais de acordo com esta afirmação do carismático Nelson Mandela. Para mim, a educação torna as pessoas melhores seres, porque nos torna mais tolerantes, mais conscientes, mais solidários com o sofrimento humano e menos egoístas, menos arrogantes, menos passivos. Para outros, será a religião, isto é, a crença numa entidade superior divina, que desempenhará esta função, mas nós temos variadíssimos exemplos na história da humanidade em como a religião, levada aos pontos do fanatismo, pode tansformar seres humanos em monstros desumanos e em nome de um deus, seja ele qual for, serem praticadas verdadeiras carnificinas. Além de que não vejo as pessoas que vão à missa serem melhores do que eu, muito pelo contrário...
Quanto à educação - e perdoem-me se vou puxar a brasa à minha sardinha - que nos permite ser "melhores seres" é, inequivocamente, a educação humanística. Já viram alguém tornar-se mais humano por ser um génio da matemática? No entanto, a maior parte das pessoas que tiveram uma educação baseada nas letras tem uma sensibilidade diferente e contribui de alguma forma para a evolução da humanidade, que não se verifica apenas no plano técnico ou tecnológico, mas também no plano mental.

A arte em geral e a cultura humanística em particular são, a meu ver, os dois eixos fundamentais em que deveria assentar a educação do ser humano, desde tenra idade. Não podemos apenas desenvolver o raciocínio lógico e tornarmo-nos seres frios, calculistas e materialistas...

É evidente que há um outro tipo de educação que é muito importante na formação de um ser humano... A educação que recebemos em casa, dos nossos pais, dos nossos avós, enfim, dos nossos familiares. Mas, neste caso, é uma questão de sorte, pois nunca sabemos o que nos vai calhar na rifa... Porém, a educação é algo demasiado sério para deixar ao acaso. Há que investir de forma contundente em políticas educativas que contribuam para a formação de adultos responsáveis, conscientes das implicações que cada acção sua pode provocar no mundo, para melhor, ou para pior.

quarta-feira, junho 25, 2008

Chegou o Verão...
... E com ele vem o calor, os dias longos, as noites quentes, o sol, o mar, a praia, enfim, é a minha época do ano favorita, ou não tivesse eu nascido no auge do Verão - no dia 10 de Agosto, para ser mais exacta.
O Verão tem, de facto, muitas virtudes, mas, como tudo na vida, também tem os seus defeitos. Por exemplo, Lisboa enche-se de turistas, o que é muito engraçado quando somos turistas e visitamos outras cidades, mas um bocado irritante quando se vive na cidade que é visitada...
Quem anda de transportes públicos está sujeito a sentir com maior intensidade o odor dos passageiros que não cuidam da higiene pessoal...
Quanto à praia... Bom, por que será que as pessoas têm uma tendência - que eu diria quase inata - pra se porem em cima dos outros, mesmo que haja (montanhas de) espaço? Será que têm medo de sentir sozinhas? Ou será que têm uma veia sádica e gostam de torturar os outros com conversas aos altos berros, com bolas, raquetes e afins?
O típico tuga não vai pra praia apanhar sol - com conta, peso e medida, claro - porque faz bem à saúde e evita constipações. Não! O típico tuga vai pra praia pra jogar futebol e comer (se virem grupos de pessoas com grandes "geleiras", a beber cerveja e a falar alto, embora posssam parecer portugueses, na verdade não o são, são brasileiros). Enquanto eu como salada e fruta para ir o maior número possível de vezes à água e não estar preocupada com digestões pesadas, a maior parte das pessoas come sandes bem recheadas, batatas fritas, bolos, gelados, etc...
Depois esta altura do ano também é pródiga em certas figuras caricatas, como os mânfios, por exemplo. Eu utilizo a expressão "mânfio" para caracterizar o macho latino que se passeia pelas estradas ou pelas ruas deste nosso Portugal continental (não posso falar da Madeira nem dos Açores, porque infelizmente não conheço). Na estrada, identificam-se facilmente pelo uso de carros "desportivos", com os vidros corridos, a música bem alta e os óculos escuros fashion. Na rua, como não têm o carro para exibir as suas proezas na condução, limitam-se a abrir a camisa pra mostrar os peitorais e a mandar uns piropos às raparigas jeitosas que passam...
É claro que não posso deixar de referir dois aspectos essenciais inerentes aos meses de Verão lusitanos... Os bailaricos e os casamentos. É ver o país todo em festa - este ano com a agravante do Euro, que foi sol de pouca dura - ao som da música popular! É ver os inúmeros casamentos que se realizam uns atrás dos outros nas igrejas espalhadas pelo país e ouvir as buzinadelas que dão cabo da paz e do sossego dos hereges... Mas haja alegria, porque com os preços dos combustíveis e da comida a aumentarem, com o desemprego a atingir níveis deveras preocupantes e a vida cada vez mais difícil - pelo menos pra alguns - mais vale celebrar antes que isto piore ainda mais...
Dedico este texto à minha grande amiga, F.! Espero não ter gorado as tuas expectativas, amiga.

sábado, junho 14, 2008

E se Deus for gay?!?
Lisboa é, definitivamente, uma cidade gay. É o Chiado gay, são as lojas gay, é o Bairro Alto gay, são os bares e as discotecas gay, é o eléctrico gay, é o comboio gay, é a praia gay... Houve um programa que foi transmitido na RTP1, há alguns anos, sobre o século XX que se chamava "O Século do Povo". Pois eu digo que se deveria fazer um novo programa, desta feita sobre a primeira década do século XXI e, certamente, já estão a imaginar como se chamaria... "O Século Gay". E tal como foi feita, também há uns largos anos, uma exposição no CCB com o nome "O triunfo do Barroco" deveriam fazer uma nova que se chamaria "O triunfo do Orgulho Gay"!
Bom, e depois destas afirmações polémicas (se bem que o melhor ainda está pra vir, fiquem por aí, não se vão embora, hein?) e antes que as associações de defesa dos gays e lésbicas me caiam em cima (salvo seja), devo dizer que não tenho nada contra os gays nem contra as lésbicas. Já tive (tenho?) amigos gays e eram pessoas fantásticas, para além de que sempre defendi as chamadas "minorias" (não gosto muito desta palavra, parece ter um sentido depreciativo, mas não encontro neste momento outro termo). Acima de tudo sou apologista da liberdade de expressão e de respeitar as diferenças, sejam elas de que origem forem.
Posto isto, devo reforçar que não tenho nada contra a comunidade gay, mas confesso que o facto de estarem por todo o lado me deixa cada vez mais desmotivada na minha (vã?) esperança de encontrar o "príncipe encantado", algures numa das Sete Colinas de Lx...
Acho que vou ter de assumir o meu fracasso enquanto mulher e dedicar-me de corpo e alma ao único homem heterossexual disponível que subsiste... A verdade é que em criança eu tinha a (triste) mania de dizer constantemente que iria para freira e, ao que parece, previ antecipadamente o (meu) destino.
Só há um problema... E se Deus também for gay? Aí é que eu vou ficar em maus lençóis!
Sim, Deus pode muito bem ser gay, ou preto, ou fascista (comunista não é de certeza!), ou outra coisa qualquer. Os homens criam Deus à sua medida, e não o contrário...
A (falta de) iniciativa
Perdoem-me, estimados leitores, porque há alguns dias que não é publicado nenhum texto neste bolg, mas estive a desfrutar (finalmente!!!) de uma semana de férias, com muito sol, muitos banhos de mar, muita fotossíntese...
[You missed me, I know, But I'm back again!]
Começo por um assunto que me tem interpelado o espírito por estes dias e que agora partilho convosco...
Iniciativa = acto de ser o primeiro a pôr em prática uma acção, uma ideia, etc. Isto de se ser o primeiro a dizer ou a fazer alguma coisa neste país não é tarefa fácil; é uma tarefa ingrata, inglória, tudo o que possam imaginar que tenha um "in" antes...
É frequente ouvirmos os portugueses a queixarem-se de alguma coisa (nunca de si próprios, curiosamente, à excepção das maleitas que os afectam) ou a criticarem o que quer que seja (do mais importante ao mais curriqueiro dos motivos). Mas o que é facto é que "cão que ladra não morde" e isso aplica-se-nos plenamente.
Por isso quando surge algum doido(a) - como eu, por exemplo - que tem a (infeliz) ideia de dizer o que toda a gente pensa mas não diz (porque não têm coragem de dizer?, porque têm medo do que os outros vão pensar?), é logo chamado(a) de revolucionário(a) - no meu caso, isso já sucede desde os tempos de faculdade, pelo menos que eu me lembre, talvez até antes...
O que eu sei é que alguém tem de ser o primeiro a tomar a iniciativa e se tiver de ser eu que seja, estou-me a cagar para o que os outros pensam ou deixam de pensar, se os vai incomodar ou não... O problema é que a maior parte dos portugueses não está habituado a que alguém irrompa do marasmo geral e tome uma atitude, e rapidamente apelidam essa "ingerência" de revolucionária... Este termo, que é utilizado para designar tudo aquilo que vai contra o estabelecido, tem uma conotação muito particular na sociedade portuguesa, que já vem desde os tempos pré-25 de Abril e pelos vistos está enraizado na nossa cultura...
Como eu já disse num post anterior, é difícil remar contra a maré - pois, muitas vezes, somos insultados, desrespeitados, incompreendidos - mas vá-se lá saber, é mais forte do que eu (decididamente, tenho uma veia masoquista e devia mas era ir ao psicólogo)...
That's all, folks! (Esta só vão perceber os que tiverem à volta de 30 anos)

quarta-feira, maio 28, 2008

Regresso ao Passado
Hoje estava a ouvir a melhor rádio do Planeta (aqui pra nós que ninguém nos ouve, até os extraterrestres de outras galáxias devem estar sintonizados nesta estação emissora – 97.8 fm, pois não há concorrência possível) e eis senão quando é anunciada a vinda dos Rage Against the Machine a Portugal.
Há músicas e bandas que marcam uma geração e esta marcou a minha, em especial a música “Killing in the Name”.
Esta música representava (continua a representar?) a rebeldia inerente aos adolescentes/jovens, numa altura da vida em que temos vontade de ir contra tudo e contra todos, de partir tudo e em que estamos plenamente convencidos que nada nem ninguém nos vai parar. Depois vivemos mais uns anos, amadurecemos e chegamos à brilhante conclusão que é muito difícil (pra não dizer impossível ou que é “suicídio” puro) remar contra a maré, seja ela a nossa família (para o bem e para o mal), a sociedade em que nos inserimos (quer queiramos, quer não), o mundo em que vivemos (pleno de injustiças, animosidades, violência e de pessoas execrandas), a nossa condição humana (temos um princípio, um meio e um fim, inevitavelmente). Todavia, apesar de ser difícil remar contra a maré, podemos sempre tentar fazer a diferença de algum modo, não de forma destrutiva (como na adolescência), mas de forma construtiva (pela vida fora). Dá trabalho (dá muito trabalho mesmo), mas como nunca fui apologista do facilitismo… E até pode ser que recompense, nem que seja a “self satisfaction” de que pelo menos se tentou…
Pequena reflexão espontânea da hora de almoço

Parece que o Mourinho vai (finalmente!) embora de Portugal para Itália para treinar o Inter de Milão...

Perdoem-me a minha ignorância, mas nunca percebi porque é que chamam "special one" a esse senhor...

"Special Ones" são as pessoas que acordam todos os dias às 6 ou 7 da manhã (algumas até mais cedo) para ir trabalhar e receber no final do mês uns míseros 500 ou 600 euros (que têm de ser muito bem geridos) e que fazem das tripas coração para poder sobreviver!

"special one" a ganhar milhares de euros por mês e a ser apaparicado por todos como se fosse Luís XIV, o Rei (arrogante) Sol? Poupem-me!

sexta-feira, maio 23, 2008

Só existimos nos dias que fazemos.
Nos dias em que não fazemos, apenas duramos.
Padre António Vieira
10 anos depois…
Comemoram-se este ano os 10 anos de um dos acontecimentos mais marcantes do século XX a nível nacional: a Expo 98.
[Como é que já passaram 10 anos?!?]
“Eu estive lá” (na altura ainda não havia o Rock in Rio) e pude constatar in loco as mudanças significativas que a zona oriental de Lisboa sofreu para receber tão importante efeméride que deu uma projecção a Portugal só comparável à do mundial de 2006. Tive o privilégio de visitar os vários pavilhões, de andar no teleférico, de subir ao topo da Torre Vasco da Gama e de contemplar aquela vista soberba, de esperar 2h e meia para poder entrar no Oceanário… Lembro-me do espanto que me causaram a famosa “pala” do Pavilhão de Portugal, que hoje passa quase despercebida aos olhos dos transeuntes, o Pavilhão da Utopia (hoje, Pavilhão Atlântico) que mais parecia uma nave espacial acabada de aterrar à beira Tejo e a Estação do Oriente, da autoria de Calatrava, que não deixa de ser uma obra de arquitectura interessante, apesar de alguns defeitos que os utentes da referida estação lhe apontam. Nunca mais me esqueci da inauguração da Ponte Vasco da Gama – a maior da Europa naquela época: um gigantesco almoço, patrocinado por uma conhecida marca de detergentes de lavar loiça, que entrou para o livro dos recordes do Guiness (só mesmo em Portugal para se inaugurar uma ponte a comer uma feijoada!). Inesquecível foi também o dia do encerramento: milhares e milhares de pessoas (eu incluída, embora não gostasse, e continuo a não gostar, de multidões ou de grandes ajuntamentos) assistiram ao espectacular fogo-de-artifício num tempo em que havia dinheiro pra essas coisas… Depois da realização da Expo 98, a grande questão era o que iria acontecer àquele novo espaço dos alfacinhas e habitantes da grande Lisboa: iria cair no esquecimento e no abandono ou continuaria a ser um lugar de referência da capital? Felizmente que hoje, passados 10 anos, não obstante vários problemas que subsistem, há pessoas que vivem, estudam, trabalham, fazem compras, passeiam, assistem a concertos ou a espectáculos de dança, jogam nas slot machines, cantam e dançam no que se chama hoje Parque das Nações.
Houve um outro acontecimento verdadeiramente marcante nesse ano, mas esse de carácter pessoal: a morte da minha avó. Até então (a minha avó morreu no dia 10 de Julho de 1998, um mês antes de eu fazer 21 anos), nunca tinha morrido ninguém que me fosse tão próximo, tão importante e estruturante. Já tinha ido a vários funerais, infelizmente, mas nenhum teve o impacto e a dimensão que este teve, porque quem acabara de morrer era a MINHA AVÓ – a pessoa que me criou, que tomou conta de mim, que me amava incondicionalmente, que me deu com a colher de pau nas alturas em que era preciso (e eu não fiquei traumatizada por isso), que fazia comigo longos passeios, que me levava ao Parque Eduardo VII para apanhar pinhões, visitar a Estufa-fria ou andar naqueles baloiços fabulosos que lá havia, que me comprava farturas na Feira Popular, que me dava pão para os patos dos lagos da Gulbenkian, que jogava comigo às cartas, que me dava chá com torradas ao lanche quando eu chegava da escola (eu odiava leite e na altura não existiam, felizmente, os bolicaos, os donuts e as porcarias que hoje existem), que me dizia que eu estudava demais, que sofria com saudades minhas quando eu ia de férias com as minhas amigas, que me apoiava em tudo, que me consolava quando eu estava triste…
[Como é que já passaram 10 anos desde que partiste, “vó”? Parece que sinto mais a tua falta hoje do que há 10 anos!]
Foi difícil todo o processo por que tivemos de passar até à tua decadência e morte.
Eu conheci a minha avó ainda no “auge” da sua curta vida. Era capaz de mudar de sítio, sozinha, os móveis todos da casa, de maneira que, quando eu chegava a casa da escola, já estava tudo diferente e eu adorava isso (ainda hoje gosto de mudanças, desde que sejam pra melhor, claro)! Sempre admirei muito a minha avó, pois era uma mulher corajosa que, contra tudo e contra todos (família incluída), saiu de casa com uma filha nos braços para não aturar um marido bêbado que lhe batia, partia as coisas e deixava dívidas em todo o lado. Era uma trabalhadora e uma lutadora incansável, nunca deixou que nada faltasse à minha mãe. Era extremamente organizada no que diz respeito ao dinheiro e eu herdei isso (quem tem pouco, tem de gerir muito bem o pouco que tem), assim como a capacidade de fazer contas de cabeça (quando chego à caixa do supermercado, normalmente já sei quanto é que vou pagar! I’m freak, I know…).
No dia em que a minha avó entrou pela última vez no hospital, eu (pres)senti que ela já não sairia dali com vida e no dia anterior à sua morte, eu desejei que ela morresse, pois o seu sofrimento era demasiado. Eu não podia ser egoísta ao ponto de desejar que ela continuasse viva, nem queria ser masoquista ao ponto de continuar a vê-la toda entubada, por muito mais tempo, ali naquela cama de hospital… Já tinha sofrido demais…. A vida tinha-lhe sido madrasta o suficiente.
Obrigada “vó”, por tudo o que fizeste por mim, por tudo o que me deste (não me refiro a coisas materiais), por teres tornado a minha infância uma infância feliz que eu recordo com saudade e carinho.

domingo, maio 18, 2008

A idade da consciência
Ontem foi dia de benção das fitas em Lisboa. Calhou cruzar-me com duas felizes contempladas no eléctrico e enquanto olhava para os seus rostos jovens, cheios de esperança e de sonhos, pensava que também eu já tinha passado pelo mesmo ritual, que também eu já tive um rosto jovem, cheio de esperança e de sonhos...
Os anos passaram. O meu rosto continua a ser jovem (pelo menos por enquanto), continuo a ter esperança num mundo melhor, numa vida melhor (que não passa necessariamente pela aquisição de bens materiais), continuo a sonhar com o príncipe encantado ou desencantado (eu pelo menos gostava de o desencantar nalgum sítio), mas de certo modo perdi a inocência desses tempos e hoje tenho consciência de que, citando uma grande e sábia amiga minha,
"[nem] todas as pessoas são bem intencionadas ou «não fazem por mal». A vida provou-nos exactamente o contrário. Quanto mais velhos, mais gente cínica conhecemos, mais traídos somos nas nossas expectativas de vida, pelas pessoas e por muitas outras coisas; que um dia tudo fica bem. Eu e a Patrícia sabemos que não existem tesouros ao fundo do arco-íris. Talvez não faça mal acreditar nisso. Mas nós não acreditamos que velhas ordens se recomponham. Podem aparecer, isso sim, em forma de uma nova ordem pós-caótica, mas que nada tem a ver com a anterior. Por isso não temos vidas nada parecidas àquelas que tínhamos na faculdade; que perder as pessoas é das maiores lições de vida que temos de aprender a gerir, sobretudo se essas pessoas nos orientavam e eram parte integrante do nosso coração; que podemos perder tudo de um momento para outro, e isso é muito difícil de aprender. Mais uma vez, aprendemos que rapidamente a ordem estabelecida, ou a tentativa de o fazer, pode gorar, ruir; não acalentamos grandes expectativas quanto às pessoas. Só dá desgostos desnecessários. Sabemos que as outras pessoas nem sempre pensam ou sentem o mesmo que nós."
É fundamental termos esta consciência e não estou a querer dramatizar, simplesmente constato que há certas ilusões que são desnecessárias, ao passo que há outras que devemos acalentar, porque são elas que, muitas vezes, nos fazem seguir em frente.
Agradecimento
Quero expressar o meu mais sincero agradecimento às pessoas que têm deixado comentários a alguns dos meus posts, não pelo facto de dizerem "bem", mas pelo facto de deixarem a sua opinião, o que para mim é muito importante. Não há nada que mais nos ajude a "evoluir" do que a troca de ideias e de pontos de vista. De que vale passarmos por este mundo se nos mantemos sempre na mesma, isto é, se pensamos sempre da mesma maneira, se nos mantemos agarrados a certos preconceitos, se não respeitamos o que é diferente de nós?
No seguimento da vertente pedagógica que este blog pretende ter, recomendo vivamente o link que dá título a este post.
Actualmente a nossa vida é tão mecânica (não deixa de ser curioso que um sinónimo para esta palavra é "artificial") e tudo o que fazemos, desde que nos levantamos até que nos deitamos, é tão automático e está tão interiorizado que nem pensamos no como e no porquê das "coisas".
Mas era bom que começássemos a questionar esse "tudo", pois cada gesto, por mais ínfimo que seja, tem consequências. A verdade é que o ser humano, em nome do seu bem-estar e conforto, consome qualquer coisa que lhe facilite a vida, só que entretanto vai destruindo o planeta a um ritmo alucinante, sem precedentes, e que eu saiba, não existe mais nenhum planeta habitável, por isso se dermos cabo deste...
Como diria a personagem Jack Dawson, intrepretada por Leonardo DiCaprio no Titanic, a vida é um dom que não devemos desperdiçar. É melhor começarmos a agir quanto antes, se não que planeta vão herdar os nossos filhos e os nossos netos? Não é justo que as gerações actuais comprometam o futuro das gerações vindouras. Elas têm tanto direito como nós de viver na Terra e de usufruir do dom que é vida.

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Things that I love: friendship, kindness, devotion, learn new things, meet new people, a nice conversation, a good laugh, a cup of ginger tea, feel the sun in my face, contemplate the sea. Things that inspire me: people and their achievements*, quotes that bring light into my life*, music, poetry, new beginnings. *including mine