quarta-feira, maio 28, 2008

Regresso ao Passado
Hoje estava a ouvir a melhor rádio do Planeta (aqui pra nós que ninguém nos ouve, até os extraterrestres de outras galáxias devem estar sintonizados nesta estação emissora – 97.8 fm, pois não há concorrência possível) e eis senão quando é anunciada a vinda dos Rage Against the Machine a Portugal.
Há músicas e bandas que marcam uma geração e esta marcou a minha, em especial a música “Killing in the Name”.
Esta música representava (continua a representar?) a rebeldia inerente aos adolescentes/jovens, numa altura da vida em que temos vontade de ir contra tudo e contra todos, de partir tudo e em que estamos plenamente convencidos que nada nem ninguém nos vai parar. Depois vivemos mais uns anos, amadurecemos e chegamos à brilhante conclusão que é muito difícil (pra não dizer impossível ou que é “suicídio” puro) remar contra a maré, seja ela a nossa família (para o bem e para o mal), a sociedade em que nos inserimos (quer queiramos, quer não), o mundo em que vivemos (pleno de injustiças, animosidades, violência e de pessoas execrandas), a nossa condição humana (temos um princípio, um meio e um fim, inevitavelmente). Todavia, apesar de ser difícil remar contra a maré, podemos sempre tentar fazer a diferença de algum modo, não de forma destrutiva (como na adolescência), mas de forma construtiva (pela vida fora). Dá trabalho (dá muito trabalho mesmo), mas como nunca fui apologista do facilitismo… E até pode ser que recompense, nem que seja a “self satisfaction” de que pelo menos se tentou…
Pequena reflexão espontânea da hora de almoço

Parece que o Mourinho vai (finalmente!) embora de Portugal para Itália para treinar o Inter de Milão...

Perdoem-me a minha ignorância, mas nunca percebi porque é que chamam "special one" a esse senhor...

"Special Ones" são as pessoas que acordam todos os dias às 6 ou 7 da manhã (algumas até mais cedo) para ir trabalhar e receber no final do mês uns míseros 500 ou 600 euros (que têm de ser muito bem geridos) e que fazem das tripas coração para poder sobreviver!

"special one" a ganhar milhares de euros por mês e a ser apaparicado por todos como se fosse Luís XIV, o Rei (arrogante) Sol? Poupem-me!

sexta-feira, maio 23, 2008

Só existimos nos dias que fazemos.
Nos dias em que não fazemos, apenas duramos.
Padre António Vieira
10 anos depois…
Comemoram-se este ano os 10 anos de um dos acontecimentos mais marcantes do século XX a nível nacional: a Expo 98.
[Como é que já passaram 10 anos?!?]
“Eu estive lá” (na altura ainda não havia o Rock in Rio) e pude constatar in loco as mudanças significativas que a zona oriental de Lisboa sofreu para receber tão importante efeméride que deu uma projecção a Portugal só comparável à do mundial de 2006. Tive o privilégio de visitar os vários pavilhões, de andar no teleférico, de subir ao topo da Torre Vasco da Gama e de contemplar aquela vista soberba, de esperar 2h e meia para poder entrar no Oceanário… Lembro-me do espanto que me causaram a famosa “pala” do Pavilhão de Portugal, que hoje passa quase despercebida aos olhos dos transeuntes, o Pavilhão da Utopia (hoje, Pavilhão Atlântico) que mais parecia uma nave espacial acabada de aterrar à beira Tejo e a Estação do Oriente, da autoria de Calatrava, que não deixa de ser uma obra de arquitectura interessante, apesar de alguns defeitos que os utentes da referida estação lhe apontam. Nunca mais me esqueci da inauguração da Ponte Vasco da Gama – a maior da Europa naquela época: um gigantesco almoço, patrocinado por uma conhecida marca de detergentes de lavar loiça, que entrou para o livro dos recordes do Guiness (só mesmo em Portugal para se inaugurar uma ponte a comer uma feijoada!). Inesquecível foi também o dia do encerramento: milhares e milhares de pessoas (eu incluída, embora não gostasse, e continuo a não gostar, de multidões ou de grandes ajuntamentos) assistiram ao espectacular fogo-de-artifício num tempo em que havia dinheiro pra essas coisas… Depois da realização da Expo 98, a grande questão era o que iria acontecer àquele novo espaço dos alfacinhas e habitantes da grande Lisboa: iria cair no esquecimento e no abandono ou continuaria a ser um lugar de referência da capital? Felizmente que hoje, passados 10 anos, não obstante vários problemas que subsistem, há pessoas que vivem, estudam, trabalham, fazem compras, passeiam, assistem a concertos ou a espectáculos de dança, jogam nas slot machines, cantam e dançam no que se chama hoje Parque das Nações.
Houve um outro acontecimento verdadeiramente marcante nesse ano, mas esse de carácter pessoal: a morte da minha avó. Até então (a minha avó morreu no dia 10 de Julho de 1998, um mês antes de eu fazer 21 anos), nunca tinha morrido ninguém que me fosse tão próximo, tão importante e estruturante. Já tinha ido a vários funerais, infelizmente, mas nenhum teve o impacto e a dimensão que este teve, porque quem acabara de morrer era a MINHA AVÓ – a pessoa que me criou, que tomou conta de mim, que me amava incondicionalmente, que me deu com a colher de pau nas alturas em que era preciso (e eu não fiquei traumatizada por isso), que fazia comigo longos passeios, que me levava ao Parque Eduardo VII para apanhar pinhões, visitar a Estufa-fria ou andar naqueles baloiços fabulosos que lá havia, que me comprava farturas na Feira Popular, que me dava pão para os patos dos lagos da Gulbenkian, que jogava comigo às cartas, que me dava chá com torradas ao lanche quando eu chegava da escola (eu odiava leite e na altura não existiam, felizmente, os bolicaos, os donuts e as porcarias que hoje existem), que me dizia que eu estudava demais, que sofria com saudades minhas quando eu ia de férias com as minhas amigas, que me apoiava em tudo, que me consolava quando eu estava triste…
[Como é que já passaram 10 anos desde que partiste, “vó”? Parece que sinto mais a tua falta hoje do que há 10 anos!]
Foi difícil todo o processo por que tivemos de passar até à tua decadência e morte.
Eu conheci a minha avó ainda no “auge” da sua curta vida. Era capaz de mudar de sítio, sozinha, os móveis todos da casa, de maneira que, quando eu chegava a casa da escola, já estava tudo diferente e eu adorava isso (ainda hoje gosto de mudanças, desde que sejam pra melhor, claro)! Sempre admirei muito a minha avó, pois era uma mulher corajosa que, contra tudo e contra todos (família incluída), saiu de casa com uma filha nos braços para não aturar um marido bêbado que lhe batia, partia as coisas e deixava dívidas em todo o lado. Era uma trabalhadora e uma lutadora incansável, nunca deixou que nada faltasse à minha mãe. Era extremamente organizada no que diz respeito ao dinheiro e eu herdei isso (quem tem pouco, tem de gerir muito bem o pouco que tem), assim como a capacidade de fazer contas de cabeça (quando chego à caixa do supermercado, normalmente já sei quanto é que vou pagar! I’m freak, I know…).
No dia em que a minha avó entrou pela última vez no hospital, eu (pres)senti que ela já não sairia dali com vida e no dia anterior à sua morte, eu desejei que ela morresse, pois o seu sofrimento era demasiado. Eu não podia ser egoísta ao ponto de desejar que ela continuasse viva, nem queria ser masoquista ao ponto de continuar a vê-la toda entubada, por muito mais tempo, ali naquela cama de hospital… Já tinha sofrido demais…. A vida tinha-lhe sido madrasta o suficiente.
Obrigada “vó”, por tudo o que fizeste por mim, por tudo o que me deste (não me refiro a coisas materiais), por teres tornado a minha infância uma infância feliz que eu recordo com saudade e carinho.

domingo, maio 18, 2008

A idade da consciência
Ontem foi dia de benção das fitas em Lisboa. Calhou cruzar-me com duas felizes contempladas no eléctrico e enquanto olhava para os seus rostos jovens, cheios de esperança e de sonhos, pensava que também eu já tinha passado pelo mesmo ritual, que também eu já tive um rosto jovem, cheio de esperança e de sonhos...
Os anos passaram. O meu rosto continua a ser jovem (pelo menos por enquanto), continuo a ter esperança num mundo melhor, numa vida melhor (que não passa necessariamente pela aquisição de bens materiais), continuo a sonhar com o príncipe encantado ou desencantado (eu pelo menos gostava de o desencantar nalgum sítio), mas de certo modo perdi a inocência desses tempos e hoje tenho consciência de que, citando uma grande e sábia amiga minha,
"[nem] todas as pessoas são bem intencionadas ou «não fazem por mal». A vida provou-nos exactamente o contrário. Quanto mais velhos, mais gente cínica conhecemos, mais traídos somos nas nossas expectativas de vida, pelas pessoas e por muitas outras coisas; que um dia tudo fica bem. Eu e a Patrícia sabemos que não existem tesouros ao fundo do arco-íris. Talvez não faça mal acreditar nisso. Mas nós não acreditamos que velhas ordens se recomponham. Podem aparecer, isso sim, em forma de uma nova ordem pós-caótica, mas que nada tem a ver com a anterior. Por isso não temos vidas nada parecidas àquelas que tínhamos na faculdade; que perder as pessoas é das maiores lições de vida que temos de aprender a gerir, sobretudo se essas pessoas nos orientavam e eram parte integrante do nosso coração; que podemos perder tudo de um momento para outro, e isso é muito difícil de aprender. Mais uma vez, aprendemos que rapidamente a ordem estabelecida, ou a tentativa de o fazer, pode gorar, ruir; não acalentamos grandes expectativas quanto às pessoas. Só dá desgostos desnecessários. Sabemos que as outras pessoas nem sempre pensam ou sentem o mesmo que nós."
É fundamental termos esta consciência e não estou a querer dramatizar, simplesmente constato que há certas ilusões que são desnecessárias, ao passo que há outras que devemos acalentar, porque são elas que, muitas vezes, nos fazem seguir em frente.
Agradecimento
Quero expressar o meu mais sincero agradecimento às pessoas que têm deixado comentários a alguns dos meus posts, não pelo facto de dizerem "bem", mas pelo facto de deixarem a sua opinião, o que para mim é muito importante. Não há nada que mais nos ajude a "evoluir" do que a troca de ideias e de pontos de vista. De que vale passarmos por este mundo se nos mantemos sempre na mesma, isto é, se pensamos sempre da mesma maneira, se nos mantemos agarrados a certos preconceitos, se não respeitamos o que é diferente de nós?
No seguimento da vertente pedagógica que este blog pretende ter, recomendo vivamente o link que dá título a este post.
Actualmente a nossa vida é tão mecânica (não deixa de ser curioso que um sinónimo para esta palavra é "artificial") e tudo o que fazemos, desde que nos levantamos até que nos deitamos, é tão automático e está tão interiorizado que nem pensamos no como e no porquê das "coisas".
Mas era bom que começássemos a questionar esse "tudo", pois cada gesto, por mais ínfimo que seja, tem consequências. A verdade é que o ser humano, em nome do seu bem-estar e conforto, consome qualquer coisa que lhe facilite a vida, só que entretanto vai destruindo o planeta a um ritmo alucinante, sem precedentes, e que eu saiba, não existe mais nenhum planeta habitável, por isso se dermos cabo deste...
Como diria a personagem Jack Dawson, intrepretada por Leonardo DiCaprio no Titanic, a vida é um dom que não devemos desperdiçar. É melhor começarmos a agir quanto antes, se não que planeta vão herdar os nossos filhos e os nossos netos? Não é justo que as gerações actuais comprometam o futuro das gerações vindouras. Elas têm tanto direito como nós de viver na Terra e de usufruir do dom que é vida.

terça-feira, abril 29, 2008

Uvas sem grainhas
Por que será que hoje em dia há uma tendência generalizada para o facilitismo que até já chegámos ao ponto de ter uvas sem grainhas?
As adversidades, as dificuldades e os desafios fazem parte da vida - têm de fazer parte da vida - para darmos valor ao que é realmente importante, para sermos pessoas com mais carácter.
Como diz o jornalista Pedro Pinto na edição do jornal Metro - vida de pobre é assim, quem anda de transportes públicos não precisa de gastar dinheiro em jornais diários - os jovens de hoje são uma "Geração Amorfa: nada lhes interessa ou os entusiasma, nada os cativa para além do prazer imediato do telemóvel, da próxima saída ou da nova roupa. (...) Estão habituados a ter tudo e a lutar por muito pouco."
E o resultado? Uvas sem grainhas, o mesmo é dizer, pessoas sem substância...
A vida é uma luta constante, pois há imensos adversários, a começar por nós próprios. Nós somos os piores e os melhores adversários que podemos ter. Não devemos enjeitar esta condição, sob pena de nos tornarmos numa Humanidade Amorfa.

segunda-feira, abril 28, 2008

O Sexo Forte
Não, não quero plagiar nenhum programa de rádio matinal. Quero apenas desmitificar um velho equívoco que anda na cabeça das pessoas há alguns anos e que já é tempo de alguém pôr as coisas em pratos limpos (adoro esta expressão!).
Neste fim de semana prolongado, fui com uma amiga minha à praia e um dos nossos temas de conversa foi precisamente o do sexo forte.
É comummente aceite que o homem é o sexo forte. Nada mais errado! E atenção, não digo isto por ser mulher, mas sim porque há factos que comprovam a falsidade desse conceito. Senão, vejamos.
A mulher tem maior capacidade de suportar a dor física do que o homem. Isto é simples de explicar. A mulher é que dá à luz, portanto os mecanismos para suportar a dor física estão mais desenvolvidos. Pelo mesmo motivo - a maternidade - as mulheres têm maior força relativa (sublinho o "relativa") nas pernas do que os homens.
Quanto à "dor" psicológica ou emocional, ao contrário do que se costuma pensar, a mulher também tem mais resistência. O facto de os homens não demonstrarem tanto as emoções, que se deve em parte, é certo, à educação que recebem, não quer dizer que eles consigam lidar melhor com situações difíceis do ponto de vista emocional. Os homens têm muita dificuldade em lidar com a solidão, por exemplo.
A mulher consegue realizar eficazmente várias tarefas ao mesmo tempo, ao passo que os homens têm tendência para se focalizarem apenas numa tarefa.
A mulher identifica de forma rápida e inequívoca os diferentes estados emocionais das pessoas só de olhar para elas. E mais. A área do cérebro que utiliza para o fazer é muito menor do que a utilizada pelo homem.
Mas isto são meros dados científicos, e é claro que os homens também terão capacidades diferentes das nossas!
Porém...
Sejamos sinceras: uma mulher, se quiser, pode fazer gato sapato de um homem. Enquanto os homens estão a ir, já nós fomos e voltámos e tornámos a ir e a voltar. Chamem-lhe intuição feminina ou o que quiserem, mas a verdade é que nós estamos sempre um passo à frente, talvez por atingirmos a maturidade mais cedo?!?
E, meus amigos, acreditem que uma mulher sabe quando vocês andam a mijar fora do penico (também gosto desta expressão prosaica). Ela pode é fingir que não sabe ou preferir ignorar. As razões desse fingimento ou dessa "ignorância", só ela as saberá.
Bem, e não é só nesse campo que as mulheres fingem...
Por falar nisso... Esta minha amiga que foi comigo à praia comprou um vibrador. Sobre a sua nova e surpreendente aquisição, disse-me o seguinte, e passo a citar: "Caro, mas ao menos não tem homem agarrado".
Desde já quero lançar um repto à população masculina heterossexual (que é cada vez mais rara, diga-se de passagem): não se deixem ultrapassar pelos vibradores (e olhem que os há cada vez mais sofisticados). Lutem pelas vossas mulheres, porque elas gostam de vocês na mesma, apesar de elas serem nítida e inequivocamente o sexo mais forte.

terça-feira, abril 15, 2008

"Qualquer um vê que tem uma personalidade excitante [tenho?!?], muito volátil [o título deste blog confirma-o] e bastante impulsiva [acho que já fui mais, a idade vai-nos ensinando umas coisas, ou talvez não]. Resumindo, é uma líder natural [na faculdade chamavam-me revolucionária], a quem é fácil tomar decisões rápidas [praia, praia ou praia? Praia], ainda que nem sempre, as mais correctas [isso é questionável]. Tem um espírito ousado e aventureiro [depende dos dias], experimenta tudo pelo menos uma vez na vida [nem tudo, convenhamos], arrisca e vive grandes aventuras [sim, é uma aventura andar de transportes públicos em Portugal]. Os amigos gostam da sua companhia devido à contagiante boa disposição [isso terão de ser eles a confirmar]."
Resultado de um daqueles testes das revistas, neste caso de uma edição online, sobre o meu envolvimento social...

quinta-feira, abril 03, 2008

Há coisas neste mundo que me irritam e outras que me revoltam, mas quem lê habitualmente este blog já sabe que assim é!
Coisas que me revoltam:
Hoje ouvi na rádio que os processos de adopção vão passar a ter uma taxa de 576 euros. Ora, se já é difícil adoptar uma criança neste país por todos os motivos e mais alguns (é um processo longo, burocrático e quase irrealizável), os nossos fantásticos e inteligentes governantes, em vez de facilitarem a adopção, parecem querer pôr um fim definitivo à mesma.
Normalmente, não são as famílias ricas que adoptam crianças em Portugal. Por dois motivos: ou porque gastam rios de dinheiro em tratamentos de infertilidade ou porque é mais fashion ir a um país asiático ou a um país africano adoptar uma criança como a Madonna e a Angelina Jolie fizeram.
Eu espero que haja o bom senso de não ser cobrada esta taxa, até porque os governantes estão a ver as coisas de modo errado. Quanto mais crianças foram adoptadas, menos encargos terá o Estado.
Coisas que me irritam:
Definitivamente, os portugueses não sabem andar de transportes públicos! Será que é assim tão difícil? Tal como os taxistas tiveram de tirar um curso para exercer a sua actividade, talvez fosse boa ideia dar uns cursos de formação à população em geral no que diz respeito ao uso dos meios de transporte quer rodoviários, quer ferroviários, quer fluviais, que são os que conheço melhor.
Tópicos do curso:
1º - deve respeitar uma fila de pessoas, em vez de se armar em esperto e passar à frente dos outros ou “pôr-se em cima” deles (isto não se aplica só às filas para apanhar o autocarro, aplica-se também às filas do hipermercado, do café, do multibanco, da farmácia, etc, etc, etc); 2º - nas escadas rolantes, deve colocar-se à direita, deixando a esquerda livre para quem quiser passar; 3º - no metro, deve colocar-se na lateral das portas quando o comboio chega para deixar os outros passageiros sairem convenientemente e só depois entrar; 4º - no autocarro, assim que entrar dirija-se imediatamente para uma cadeira ou, caso não haja lugar ou prefira ficar de pé, dirija-se sempre para a parte de trás do autocarro e não fique a bloquear a entrada; 5º - no eléctrico, evite colocar-se nas zonas onde se validam os bilhetes ou nas zonas onde se carrega no stop; 6º - no barco, não se coloque em cima das pessoas que estão preparadas para sair (e se for crente, reze para que não haja uma tempestade ou o barco vá ao fundo); 7º - em qualquer um destes meios de transporte, deverá: tomar banho e pôr desodorizante antes de sair de casa; colocar a mão à frente da boca se tossir ou à frente do nariz se espirrar; abester-se de dirigir comentários impróprios aos outros passageiros.

terça-feira, abril 01, 2008

Selfish Post
Faz hoje dois anos que estou a viver sozinha (ou "comigo mesma", como costumo dizer quando me perguntam "moras com quem?"). E não, não é nenhuma mentira do dia 1 de Abril, é mesmo verdade.
Não deixa de ser interessante a experiência de viver sozinho. Não é para toda a gente, porque é uma prova de resistência diária - resistência à solidão -, é uma luta constante do eu com o eu - umas vezes tenho paciência para me aturar, outras nem por isso -, mas é também uma descoberta de mim própria - como eu sou, com os meus defeitos e algumas qualidades - e isso é algo muito importante. Há pessoas que passam pela vida e nunca se chegam a conhecer a si próprias, porque vivem de, para, com, em suma, em função dos outros.
Acho que já descobri mais sobre mim nestes 24 meses do que em vários anos da minha vida. É claro que o facto de estar a ficar mais velha também ajuda - ajuda-me(nos) a ter uma maior consciência das coisas e a ver o que me(nos) rodeia, e quem me(nos) rodeia, de outra perspectiva e com outra clareza. Como diria o Padre António Vieira numa breve mas clarividente passagem:
“Uma das potências da alma é o entendimento, o qual nunca aumenta e cresce, senão quando já desfalece o corpo; amostra desta verdade é a experiência, pois nunca os homens se vêem mais avultados no entendimento, senão quando muito crescidos nos anos, e para se aumentar aquela potência da alma, parece que com os muitos anos necessariamente se hão-de desfazer as forças do corpo.”
Acho que a (nossa) vida só faz (algum) sentido, se o entendimento aumentar e crescer, não só em quantidade, mas também em qualidade. Só assim poderemos evoluir e tornarmo-nos melhores seres. Ao tornarmo-nos melhores, o mundo será por consequência melhor, e essa devia ser a missão de todo o ser humano, sobretudo dos crentes (sim, dos crentes, leram bem) que, ao contrário dos não crentes, não fazem as coisas sem um interesse ulterior. A eles, dirijo estas palavras sábias do Padre António Vieira:
“O amor fino não busca causa nem fruto.” “Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama para que o amem, é interesseiro; quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino.”

sábado, março 01, 2008

"Quando o homem perde a capacidade de escolher, deixa de ser homem"
A Clockwork Orange, 1971

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Breve Apontamento

O presidente de Timor e prémio Nobel da Paz em 1996, Ramos Horta, foi hoje baleado perto da sua residência e encontra-se em estado crítico.

Não, este blog não se tornou numa edição on-line de um jornal, mas quis assinalar o facto porque ele faz-nos (re)lembrar quão valiosas são a vida e a paz, mas ao mesmo tempo tão frágeis...

Nós nunca sabemos o que nos reserva o dia de amanhã e uma coisa é certa: ninguém é imune a nada, nem um presidente que foi Nobel da Paz, nem o comum dos mortais onde eu me incluo. Por isso devemos valorizar cada minuto (para não dizer cada segundo) da nossa vida e da paz em que, mal ou bem, vivemos.

Devemos valorizar as pequenas coisas do dia-a-dia, cada momento de felicidade que partilhamos com aqueles que amamos, e tantas, tantas coisas que desprezamos como se a vida fosse eterna ou intocável… Mas não é.

Lembremo-nos disto e todos os dias olhemos para o mundo como se fosse a primeira vez (e respeitemo-lo), digamos “Eu amo-te” ou “Tu fazes-me muito feliz” antes de ir para o trabalho ou depois de voltar, valorizemos cada palavra, cada gesto, cada olhar, cada sorriso, cada lágrima e espantar-nos-emos com a magia única e irrepetível que é a vida.

Ignorância, a quanto obrigas!

Há duas coisas neste mundo que afligem o meu ser inconstante: a loucura e a intolerância. Uma e outra podem ser verdadeiramente nefastas e até destrutivas.

A loucura é algo muito complexo e muito difícil de lidar. Acho que ninguém está preparado para enfrentar uma situação dessas, só os profissionais.

O mesmo não se passa com a intolerância. Ela só existe devido à ignorância que grassa por esse mundo fora.

A intolerância pode ser de diversos tipos – política, religiosa, social, etc – mas hoje só vou chamar a atenção para a intolerância social, mais concretamente, para a intolerância em relação ao que é diferente de nós.

A este propósito há um livro que toda a gente devia ler que é de um conhecido autor chileno (Luís Sepúlveda) e que se intitula História da Gaivota e do Gato que a ensinou a voar. Através de uma fábula, este autor ensina-nos (as fábulas têm sempre uma moral) a aceitar e respeitar aqueles que são diferentes de nós.

O ser humano tem uma certa tendência, ignominiosa, diga-se de passagem, de achar que ele é que está certo, que aquilo que ele conhece/pensa/faz/sabe (mesmo que seja só uma ínfima parcela da realidade) é que é correcto. Os que pensarem ou fizerem de maneira diferente não são válidos e são frequentemente alvo de chacota.

Vou dar um exemplo muito concreto.

Eu não como carne. Quantas e quantas vezes já senti na pele a intolerância, e a discriminação mesmo, por ser diferente numa coisa tão simples como a alimentação. Eu não quero impor nada a ninguém; se as pessoas querem consumir carne putrefacta (já sem falar na questão do sofrimento dos animais, em particular das vacas, que é um dos meus animais favoritos), com todas as consequências que isso traz para o organismo e para a sua saúde, que o façam: cada ser humano é livre de tomar as decisões que bem entende, desde que não afecte a liberdade dos outros, claro.

O que eu peço é que não “gozem” ou façam afirmações ridículas do género “Não comes carne? Comes o quê então?!?”…

A humanidade ainda tem um longo caminho a percorrer neste campo, mas a história tem provado uma coisa: aquilo que em certa época é visto com desconfiança ou é considerado absurdo, mais tarde ou mais cedo acaba por ser aceite ou verifica-se que afinal estava correcto...

PS: este site tem ou procura ter (na sua devida dimensão e humildade) uma vertente pedagógica. Nesse sentido deixo aqui os links da Associação Vegetariana Portuguesa http://www.avp.eco-gaia.net/ e da Sociedade Portuguesa de Naturalogia http://spn.eco-gaia.net/ para consulta por parte dos leitores interessados. Os que querem permanecer ignorantes estão no seu pleno direito (no hard feelings!).

MULHERES DE 30 À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS?
Somos lindas (atenção que não o digo no sentido meramente físico), independentes, seguras de nós próprias, sabemos o que queremos (e mais importante, o que não queremos) e estamos sozinhas. Porquê?
É cada vez maior o número de mulheres na faixa etária dos 30 aos 37 anos que é independente (óptimo), que vive sozinha (tem as suas vantagens e os seus inconvenientes) e que não tem namorado ou alguém com quem partilhar as tristezas e alegrias da vida (o que é bom se é por opção, o que é mau se é por imposição da sorte madrasta).
É certo que as mulheres (finalmente!) perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma linguiça, mas convenhamos que também só com a linguiça não se vai longe…
Há certas coisas que, por muito boa que seja a linguiça, ela nunca nos vai dar: amor, carinho, compreensão, etc, etc…
Será que é precisamente por sermos mulheres independentes, seguras, inteligentes e, como tal, de aparência pouco frágil (mas atenção, porque é só mesmo aparência), os homens sentem-se ameaçados, inferiorizados, inúteis?
Será que é por ser cada vez mais difícil encontrar homens interessantes, sensíveis, que saibam falar sobre algo mais do que futebol, que tenham sentido de humor, que não sejam uns energúmenos?!?
Seja qual for o motivo, a verdade que à noite deitamo-nos numa cama fria e de manhã não temos ninguém a dizer que nos ama (apesar do nosso ar desgrenhado de quem acabou de acordar)...
Escrito a 30/12/07

domingo, dezembro 16, 2007

"Há muita gente no mundo que morre por uma fatia de pão, mas há muita mais que morre por um pouco de amor"
Madre Teresa de Calcutá

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Obrigada, Salvador!
Acabei de assistir a um bom programa de televisão (coisa rara nos dias que correm), mais concretamente a uma entrevista da Judite de Sousa com Salvador Mendes de Almeida.
A vida deste jovem é um exemplo para todos nós, pois para alguém que julgamos ter perdido tudo, ele vem-nos ensinar que não perdeu, apenas ganhou: o valor da amizade, de ajudar os outros e de que a vida vale a pena ser vivida, apesar das adversidades (que só nos tornam mais fortes, e não mais fracos, como poderíamos à partida pensar).
Venham mais programas como este e exemplos de vida como o do Salvador para não darmos tanta relevância às coisas materiais e valorizarmos mais outras facetas da vida, essas sim realmente importantes!

quarta-feira, novembro 14, 2007

Lisboa é, provavelmente, das cidades mais bonitas do mundo (não digo que é A mais bonita para não ferir susceptibilidades nem criar invejas)! Experimentem atravessar o rio Tejo por volta das 17.30h, nesta altura do ano, num daqueles (míticos) cacilheiros que fazem a travessia de Cacilhas para Lisboa e, de preferência, a ouvirem uma boa música como, por exemplo, "Bachelorette" da Björk do álbum "Homogenic"... É lindo, não é?

terça-feira, outubro 30, 2007

Mundo de contrastes
Este em que vivemos, onde há lugares (Gana) com escravatura infantil, em pleno século XXI, e, ao mesmo tempo, onde há outros lugares que comercializam cremes de rosto a preços, no mínimo, exurbitantes (Sensai Premier – The Cream [Kanebo International] 660 €, 40 ml)!
[Dá que pensar...]
No entanto, são necessários apenas 1.000 € para alimentar uma criança durante 1 ano nos orfanatos que as organizações não-governamentais, contra tudo e contra todos, conseguem erigir em zonas do planeta pobres e desumanas em todos os sentidos.
[Dá que pensar...]
Por isso, basta não comprar um pote de creme no valor de 660€ e poupar mais uns trocados (340 €) e já se pode contribuir com os tais 1000€... Isso é que era uma prenda de Natal original, não acham?

Acerca de mim

A minha foto
Things that I love: friendship, kindness, devotion, learn new things, meet new people, a nice conversation, a good laugh, a cup of ginger tea, feel the sun in my face, contemplate the sea. Things that inspire me: people and their achievements*, quotes that bring light into my life*, music, poetry, new beginnings. *including mine