terça-feira, abril 29, 2008

Uvas sem grainhas
Por que será que hoje em dia há uma tendência generalizada para o facilitismo que até já chegámos ao ponto de ter uvas sem grainhas?
As adversidades, as dificuldades e os desafios fazem parte da vida - têm de fazer parte da vida - para darmos valor ao que é realmente importante, para sermos pessoas com mais carácter.
Como diz o jornalista Pedro Pinto na edição do jornal Metro - vida de pobre é assim, quem anda de transportes públicos não precisa de gastar dinheiro em jornais diários - os jovens de hoje são uma "Geração Amorfa: nada lhes interessa ou os entusiasma, nada os cativa para além do prazer imediato do telemóvel, da próxima saída ou da nova roupa. (...) Estão habituados a ter tudo e a lutar por muito pouco."
E o resultado? Uvas sem grainhas, o mesmo é dizer, pessoas sem substância...
A vida é uma luta constante, pois há imensos adversários, a começar por nós próprios. Nós somos os piores e os melhores adversários que podemos ter. Não devemos enjeitar esta condição, sob pena de nos tornarmos numa Humanidade Amorfa.

segunda-feira, abril 28, 2008

O Sexo Forte
Não, não quero plagiar nenhum programa de rádio matinal. Quero apenas desmitificar um velho equívoco que anda na cabeça das pessoas há alguns anos e que já é tempo de alguém pôr as coisas em pratos limpos (adoro esta expressão!).
Neste fim de semana prolongado, fui com uma amiga minha à praia e um dos nossos temas de conversa foi precisamente o do sexo forte.
É comummente aceite que o homem é o sexo forte. Nada mais errado! E atenção, não digo isto por ser mulher, mas sim porque há factos que comprovam a falsidade desse conceito. Senão, vejamos.
A mulher tem maior capacidade de suportar a dor física do que o homem. Isto é simples de explicar. A mulher é que dá à luz, portanto os mecanismos para suportar a dor física estão mais desenvolvidos. Pelo mesmo motivo - a maternidade - as mulheres têm maior força relativa (sublinho o "relativa") nas pernas do que os homens.
Quanto à "dor" psicológica ou emocional, ao contrário do que se costuma pensar, a mulher também tem mais resistência. O facto de os homens não demonstrarem tanto as emoções, que se deve em parte, é certo, à educação que recebem, não quer dizer que eles consigam lidar melhor com situações difíceis do ponto de vista emocional. Os homens têm muita dificuldade em lidar com a solidão, por exemplo.
A mulher consegue realizar eficazmente várias tarefas ao mesmo tempo, ao passo que os homens têm tendência para se focalizarem apenas numa tarefa.
A mulher identifica de forma rápida e inequívoca os diferentes estados emocionais das pessoas só de olhar para elas. E mais. A área do cérebro que utiliza para o fazer é muito menor do que a utilizada pelo homem.
Mas isto são meros dados científicos, e é claro que os homens também terão capacidades diferentes das nossas!
Porém...
Sejamos sinceras: uma mulher, se quiser, pode fazer gato sapato de um homem. Enquanto os homens estão a ir, já nós fomos e voltámos e tornámos a ir e a voltar. Chamem-lhe intuição feminina ou o que quiserem, mas a verdade é que nós estamos sempre um passo à frente, talvez por atingirmos a maturidade mais cedo?!?
E, meus amigos, acreditem que uma mulher sabe quando vocês andam a mijar fora do penico (também gosto desta expressão prosaica). Ela pode é fingir que não sabe ou preferir ignorar. As razões desse fingimento ou dessa "ignorância", só ela as saberá.
Bem, e não é só nesse campo que as mulheres fingem...
Por falar nisso... Esta minha amiga que foi comigo à praia comprou um vibrador. Sobre a sua nova e surpreendente aquisição, disse-me o seguinte, e passo a citar: "Caro, mas ao menos não tem homem agarrado".
Desde já quero lançar um repto à população masculina heterossexual (que é cada vez mais rara, diga-se de passagem): não se deixem ultrapassar pelos vibradores (e olhem que os há cada vez mais sofisticados). Lutem pelas vossas mulheres, porque elas gostam de vocês na mesma, apesar de elas serem nítida e inequivocamente o sexo mais forte.

terça-feira, abril 15, 2008

"Qualquer um vê que tem uma personalidade excitante [tenho?!?], muito volátil [o título deste blog confirma-o] e bastante impulsiva [acho que já fui mais, a idade vai-nos ensinando umas coisas, ou talvez não]. Resumindo, é uma líder natural [na faculdade chamavam-me revolucionária], a quem é fácil tomar decisões rápidas [praia, praia ou praia? Praia], ainda que nem sempre, as mais correctas [isso é questionável]. Tem um espírito ousado e aventureiro [depende dos dias], experimenta tudo pelo menos uma vez na vida [nem tudo, convenhamos], arrisca e vive grandes aventuras [sim, é uma aventura andar de transportes públicos em Portugal]. Os amigos gostam da sua companhia devido à contagiante boa disposição [isso terão de ser eles a confirmar]."
Resultado de um daqueles testes das revistas, neste caso de uma edição online, sobre o meu envolvimento social...

quinta-feira, abril 03, 2008

Há coisas neste mundo que me irritam e outras que me revoltam, mas quem lê habitualmente este blog já sabe que assim é!
Coisas que me revoltam:
Hoje ouvi na rádio que os processos de adopção vão passar a ter uma taxa de 576 euros. Ora, se já é difícil adoptar uma criança neste país por todos os motivos e mais alguns (é um processo longo, burocrático e quase irrealizável), os nossos fantásticos e inteligentes governantes, em vez de facilitarem a adopção, parecem querer pôr um fim definitivo à mesma.
Normalmente, não são as famílias ricas que adoptam crianças em Portugal. Por dois motivos: ou porque gastam rios de dinheiro em tratamentos de infertilidade ou porque é mais fashion ir a um país asiático ou a um país africano adoptar uma criança como a Madonna e a Angelina Jolie fizeram.
Eu espero que haja o bom senso de não ser cobrada esta taxa, até porque os governantes estão a ver as coisas de modo errado. Quanto mais crianças foram adoptadas, menos encargos terá o Estado.
Coisas que me irritam:
Definitivamente, os portugueses não sabem andar de transportes públicos! Será que é assim tão difícil? Tal como os taxistas tiveram de tirar um curso para exercer a sua actividade, talvez fosse boa ideia dar uns cursos de formação à população em geral no que diz respeito ao uso dos meios de transporte quer rodoviários, quer ferroviários, quer fluviais, que são os que conheço melhor.
Tópicos do curso:
1º - deve respeitar uma fila de pessoas, em vez de se armar em esperto e passar à frente dos outros ou “pôr-se em cima” deles (isto não se aplica só às filas para apanhar o autocarro, aplica-se também às filas do hipermercado, do café, do multibanco, da farmácia, etc, etc, etc); 2º - nas escadas rolantes, deve colocar-se à direita, deixando a esquerda livre para quem quiser passar; 3º - no metro, deve colocar-se na lateral das portas quando o comboio chega para deixar os outros passageiros sairem convenientemente e só depois entrar; 4º - no autocarro, assim que entrar dirija-se imediatamente para uma cadeira ou, caso não haja lugar ou prefira ficar de pé, dirija-se sempre para a parte de trás do autocarro e não fique a bloquear a entrada; 5º - no eléctrico, evite colocar-se nas zonas onde se validam os bilhetes ou nas zonas onde se carrega no stop; 6º - no barco, não se coloque em cima das pessoas que estão preparadas para sair (e se for crente, reze para que não haja uma tempestade ou o barco vá ao fundo); 7º - em qualquer um destes meios de transporte, deverá: tomar banho e pôr desodorizante antes de sair de casa; colocar a mão à frente da boca se tossir ou à frente do nariz se espirrar; abester-se de dirigir comentários impróprios aos outros passageiros.

terça-feira, abril 01, 2008

Selfish Post
Faz hoje dois anos que estou a viver sozinha (ou "comigo mesma", como costumo dizer quando me perguntam "moras com quem?"). E não, não é nenhuma mentira do dia 1 de Abril, é mesmo verdade.
Não deixa de ser interessante a experiência de viver sozinho. Não é para toda a gente, porque é uma prova de resistência diária - resistência à solidão -, é uma luta constante do eu com o eu - umas vezes tenho paciência para me aturar, outras nem por isso -, mas é também uma descoberta de mim própria - como eu sou, com os meus defeitos e algumas qualidades - e isso é algo muito importante. Há pessoas que passam pela vida e nunca se chegam a conhecer a si próprias, porque vivem de, para, com, em suma, em função dos outros.
Acho que já descobri mais sobre mim nestes 24 meses do que em vários anos da minha vida. É claro que o facto de estar a ficar mais velha também ajuda - ajuda-me(nos) a ter uma maior consciência das coisas e a ver o que me(nos) rodeia, e quem me(nos) rodeia, de outra perspectiva e com outra clareza. Como diria o Padre António Vieira numa breve mas clarividente passagem:
“Uma das potências da alma é o entendimento, o qual nunca aumenta e cresce, senão quando já desfalece o corpo; amostra desta verdade é a experiência, pois nunca os homens se vêem mais avultados no entendimento, senão quando muito crescidos nos anos, e para se aumentar aquela potência da alma, parece que com os muitos anos necessariamente se hão-de desfazer as forças do corpo.”
Acho que a (nossa) vida só faz (algum) sentido, se o entendimento aumentar e crescer, não só em quantidade, mas também em qualidade. Só assim poderemos evoluir e tornarmo-nos melhores seres. Ao tornarmo-nos melhores, o mundo será por consequência melhor, e essa devia ser a missão de todo o ser humano, sobretudo dos crentes (sim, dos crentes, leram bem) que, ao contrário dos não crentes, não fazem as coisas sem um interesse ulterior. A eles, dirijo estas palavras sábias do Padre António Vieira:
“O amor fino não busca causa nem fruto.” “Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama para que o amem, é interesseiro; quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino.”

sábado, março 01, 2008

"Quando o homem perde a capacidade de escolher, deixa de ser homem"
A Clockwork Orange, 1971

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Breve Apontamento

O presidente de Timor e prémio Nobel da Paz em 1996, Ramos Horta, foi hoje baleado perto da sua residência e encontra-se em estado crítico.

Não, este blog não se tornou numa edição on-line de um jornal, mas quis assinalar o facto porque ele faz-nos (re)lembrar quão valiosas são a vida e a paz, mas ao mesmo tempo tão frágeis...

Nós nunca sabemos o que nos reserva o dia de amanhã e uma coisa é certa: ninguém é imune a nada, nem um presidente que foi Nobel da Paz, nem o comum dos mortais onde eu me incluo. Por isso devemos valorizar cada minuto (para não dizer cada segundo) da nossa vida e da paz em que, mal ou bem, vivemos.

Devemos valorizar as pequenas coisas do dia-a-dia, cada momento de felicidade que partilhamos com aqueles que amamos, e tantas, tantas coisas que desprezamos como se a vida fosse eterna ou intocável… Mas não é.

Lembremo-nos disto e todos os dias olhemos para o mundo como se fosse a primeira vez (e respeitemo-lo), digamos “Eu amo-te” ou “Tu fazes-me muito feliz” antes de ir para o trabalho ou depois de voltar, valorizemos cada palavra, cada gesto, cada olhar, cada sorriso, cada lágrima e espantar-nos-emos com a magia única e irrepetível que é a vida.

Ignorância, a quanto obrigas!

Há duas coisas neste mundo que afligem o meu ser inconstante: a loucura e a intolerância. Uma e outra podem ser verdadeiramente nefastas e até destrutivas.

A loucura é algo muito complexo e muito difícil de lidar. Acho que ninguém está preparado para enfrentar uma situação dessas, só os profissionais.

O mesmo não se passa com a intolerância. Ela só existe devido à ignorância que grassa por esse mundo fora.

A intolerância pode ser de diversos tipos – política, religiosa, social, etc – mas hoje só vou chamar a atenção para a intolerância social, mais concretamente, para a intolerância em relação ao que é diferente de nós.

A este propósito há um livro que toda a gente devia ler que é de um conhecido autor chileno (Luís Sepúlveda) e que se intitula História da Gaivota e do Gato que a ensinou a voar. Através de uma fábula, este autor ensina-nos (as fábulas têm sempre uma moral) a aceitar e respeitar aqueles que são diferentes de nós.

O ser humano tem uma certa tendência, ignominiosa, diga-se de passagem, de achar que ele é que está certo, que aquilo que ele conhece/pensa/faz/sabe (mesmo que seja só uma ínfima parcela da realidade) é que é correcto. Os que pensarem ou fizerem de maneira diferente não são válidos e são frequentemente alvo de chacota.

Vou dar um exemplo muito concreto.

Eu não como carne. Quantas e quantas vezes já senti na pele a intolerância, e a discriminação mesmo, por ser diferente numa coisa tão simples como a alimentação. Eu não quero impor nada a ninguém; se as pessoas querem consumir carne putrefacta (já sem falar na questão do sofrimento dos animais, em particular das vacas, que é um dos meus animais favoritos), com todas as consequências que isso traz para o organismo e para a sua saúde, que o façam: cada ser humano é livre de tomar as decisões que bem entende, desde que não afecte a liberdade dos outros, claro.

O que eu peço é que não “gozem” ou façam afirmações ridículas do género “Não comes carne? Comes o quê então?!?”…

A humanidade ainda tem um longo caminho a percorrer neste campo, mas a história tem provado uma coisa: aquilo que em certa época é visto com desconfiança ou é considerado absurdo, mais tarde ou mais cedo acaba por ser aceite ou verifica-se que afinal estava correcto...

PS: este site tem ou procura ter (na sua devida dimensão e humildade) uma vertente pedagógica. Nesse sentido deixo aqui os links da Associação Vegetariana Portuguesa http://www.avp.eco-gaia.net/ e da Sociedade Portuguesa de Naturalogia http://spn.eco-gaia.net/ para consulta por parte dos leitores interessados. Os que querem permanecer ignorantes estão no seu pleno direito (no hard feelings!).

MULHERES DE 30 À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS?
Somos lindas (atenção que não o digo no sentido meramente físico), independentes, seguras de nós próprias, sabemos o que queremos (e mais importante, o que não queremos) e estamos sozinhas. Porquê?
É cada vez maior o número de mulheres na faixa etária dos 30 aos 37 anos que é independente (óptimo), que vive sozinha (tem as suas vantagens e os seus inconvenientes) e que não tem namorado ou alguém com quem partilhar as tristezas e alegrias da vida (o que é bom se é por opção, o que é mau se é por imposição da sorte madrasta).
É certo que as mulheres (finalmente!) perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma linguiça, mas convenhamos que também só com a linguiça não se vai longe…
Há certas coisas que, por muito boa que seja a linguiça, ela nunca nos vai dar: amor, carinho, compreensão, etc, etc…
Será que é precisamente por sermos mulheres independentes, seguras, inteligentes e, como tal, de aparência pouco frágil (mas atenção, porque é só mesmo aparência), os homens sentem-se ameaçados, inferiorizados, inúteis?
Será que é por ser cada vez mais difícil encontrar homens interessantes, sensíveis, que saibam falar sobre algo mais do que futebol, que tenham sentido de humor, que não sejam uns energúmenos?!?
Seja qual for o motivo, a verdade que à noite deitamo-nos numa cama fria e de manhã não temos ninguém a dizer que nos ama (apesar do nosso ar desgrenhado de quem acabou de acordar)...
Escrito a 30/12/07

domingo, dezembro 16, 2007

"Há muita gente no mundo que morre por uma fatia de pão, mas há muita mais que morre por um pouco de amor"
Madre Teresa de Calcutá

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Obrigada, Salvador!
Acabei de assistir a um bom programa de televisão (coisa rara nos dias que correm), mais concretamente a uma entrevista da Judite de Sousa com Salvador Mendes de Almeida.
A vida deste jovem é um exemplo para todos nós, pois para alguém que julgamos ter perdido tudo, ele vem-nos ensinar que não perdeu, apenas ganhou: o valor da amizade, de ajudar os outros e de que a vida vale a pena ser vivida, apesar das adversidades (que só nos tornam mais fortes, e não mais fracos, como poderíamos à partida pensar).
Venham mais programas como este e exemplos de vida como o do Salvador para não darmos tanta relevância às coisas materiais e valorizarmos mais outras facetas da vida, essas sim realmente importantes!

quarta-feira, novembro 14, 2007

Lisboa é, provavelmente, das cidades mais bonitas do mundo (não digo que é A mais bonita para não ferir susceptibilidades nem criar invejas)! Experimentem atravessar o rio Tejo por volta das 17.30h, nesta altura do ano, num daqueles (míticos) cacilheiros que fazem a travessia de Cacilhas para Lisboa e, de preferência, a ouvirem uma boa música como, por exemplo, "Bachelorette" da Björk do álbum "Homogenic"... É lindo, não é?

terça-feira, outubro 30, 2007

Mundo de contrastes
Este em que vivemos, onde há lugares (Gana) com escravatura infantil, em pleno século XXI, e, ao mesmo tempo, onde há outros lugares que comercializam cremes de rosto a preços, no mínimo, exurbitantes (Sensai Premier – The Cream [Kanebo International] 660 €, 40 ml)!
[Dá que pensar...]
No entanto, são necessários apenas 1.000 € para alimentar uma criança durante 1 ano nos orfanatos que as organizações não-governamentais, contra tudo e contra todos, conseguem erigir em zonas do planeta pobres e desumanas em todos os sentidos.
[Dá que pensar...]
Por isso, basta não comprar um pote de creme no valor de 660€ e poupar mais uns trocados (340 €) e já se pode contribuir com os tais 1000€... Isso é que era uma prenda de Natal original, não acham?

sexta-feira, outubro 26, 2007

No seguimento do "post" anterior...
Há uma coisa que sempre me intrigou: por que é que o ser humano tem necessidade constante de se evidenciar?
Se repararmos bem, a maior parte das pessoas está sempre a tentar evidenciar-se de alguma forma: ou pelo aspecto físico, ou pelo dinheiro que tem, ou pelas pessoas "importantes" que conhece, ou pela quantidade de livros que já leu ou escreveu, ou porque o filho nasceu com não sei quantos quilos e é lindo, enfim a lista é imensa, eu ficava aqui a noite toda...
Será que custa muito encarar a vida de forma natural e não fazer um grande alarido da mais ínfima coisa e estar sempre a mostrar aos outros "que se é isto ou aquilo", "eu faço e aconteço"...
Anda para aí muita gente iludida, por exemplo, gente loira que toca em bandas de covers e que se acha "muita bom" (esta é uma private, só um amigo meu é que vai entender, espero).
Acreditem que as pessoas que mais contribuíram para feitos importantes na história da humanidade eram discretas, simples e não andavam a apregoar aos 4 ventos o que faziam...
Ainda agora nos prémios Nobel, tirando o Al Gore, alguém já tinha ouvido falar daquelas pessoas?
Os inúteis deviam ser banidos da face da Terra?
Hoje recebi (mais) uma sms de uma amiga minha a dizer que o filho já tinha nascido, tendo o cuidado de indicar a hora e o peso do rebento.
A menos que eu queira enveredar pela carreira astrológica ou pela carreira nutricional, o que me interessa saber a hora e o peso do filho da minha amiga?
Além disso, este tipo de sms deixa-me sempre um tanto ou quanto deprimida, por dois motivos, a saber: as pessoas podem não se lembrar dos amigos o resto do ano inteiro, nem sequer lhes mandar uma sms a perguntar "Como estás, o que tens feito?" ou a dar os parabéns no dia de aniversário (10 de Agosto, não se esqueçam!), mas há duas situações em que nos mandam sms de certeza absoluta: quando se casam e quando têm filhos. Será que as pessoas não percebem que esses momentos são muito felizes, sem dúvida, (e é claro que eu fico feliz pelos amigos), mas são felizes apenas para eles? Eu também ficarei entusiasmada quando um filho meu nascer (se é que isso alguma vez irá acontecer), mas não vou desatar a mandar sms a toda a gente a dizer a que horas ele nasceu, o peso e que ele é lindo (por acaso gostava de "ouvir" alguém dizer "Epá, o meu filho é horrível, muita feio mesmo, não sei a quem é que ele sai"...
O outro motivo pelo qual fico deprimida é que este tipo de sms "lembra-me" que tenho 30 anos o que me leva a colocar a seguinte questão: o que é que eu fiz da minha vida até agora? Nada de significativo, nem para mim, nem para a humanidade. Ou seja, basicamente ando aqui há 30 anos a consumir os recursos do planeta Terra e o que é que eu lhe dei em troca? Zero, nada, niente, nothing, rien de rien... Não plantei nenhuma árvore, não escrevi nenhum livro e não tive nenhum filho (nem sequer tenho namorado, quanto mais)!
Falhada é o que eu sou, falhei completamente enquanto ser humano!
Pergunto-me se ainda haverá recuperação possível para o meu caso... Enquanto penso nisso, nada mais adequado do que ouvir a música "To Wish Impossible Things" do álbum Wish dos The Cure.

terça-feira, outubro 02, 2007

O mundo não é das minorias
Definitivamente. Vejam-se estes dois exemplos simples: nos supermercados, só há promoções para levarmos produtos em quantidades industriais (o que para uma pessoa sozinha é inútil); as pessoas solteiras e os homossexuais (os segundos não podendo casarem-se, segundo a lei em vigor) pagam tanto de impostos como um casal heterossexual, and so on...
Pedindo desde já perdão às restantes minorias, vou dedicar estas breves linhas a uma minoria em particular: a minoria à qual pertenço que é a dos solteiros com trinta anos, sem filhos e "sem nada de importante para fazer na vida". Como tal, temos a "obrigação" de levar com as conversas dos casados, com ou sem filhos, que, basicamente, são sobre eles, os sogros e os filhos, quando os há ("já diz muitas palavras para a idade", "já aprendeu a usar o bacio", etc). Para estas pessoas, o mundo gira em torno delas, e quando (se) nos perguntam se estamos bem, o que andamos a fazer (e pouco mais do que isso) têm o cuidado de nos dar não mais de cinco minutos para responder, não vá o/a infeliz começar a falar muito da sua vida social activa que eles deixaram de ter, em quantidade e em qualidade...
Peço desculpa se não tenho histórias fascinantes e hilariantes de sogras e de fraldas para contar! Tenho outras... Mas duvido que haja alguém interessado em escutá-las.

sexta-feira, setembro 21, 2007

A propósito de um artigo publicado numa revista semanal sobre a geração dos trinta
Sim, também pertenço a esta geração e com muito orgulho, apesar de todas as adversidades que possam daí advir… É certo que sofremos do síndroma da instabilidade profissional e quanto a mim é inadmissível uma pessoa ter andado tantos anos a estudar, a investir na sua formação e não conseguir trabalho ou ter trabalhos precários e mal pagos. Mas por outro lado, temos uma mobilidade que, por força das circunstâncias, acaba por ser benéfica… Eu pelo menos não seria capaz de passar trinta ou quarenta anos da minha vida a ir para o mesmo sítio todos os dias, ver sempre as mesmas caras e fazer sempre a mesma coisa!
Também é certo que saímos cada vez mais tarde de casa dos nossos pais, mas a vida também é diferente… A minha mãe teve-me aos vinte e dois anos, idade com que eu estava a terminar a Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses (sim, também pertenço ao vastíssimo grupo de pessoas que não conseguiu seguir a carreira docente). E ainda ao invés do exemplo materno, que se casou aos vinte anos, eu ainda não sou casada e há cerca de ano e meio tomei a decisão de viver sozinha. Aliás, é cada vez mais comum haver pessoas da minha idade a viverem sozinhas, homens e mulheres que precisam de ter um tempo para se descobrirem a si próprios enquanto ser humanos livres e autónomos, antes de se lançarem na aventura de constituir família e ter filhos, aventura essa que obriga a grandes despesas que os tais “trabalhos precários e mal pagos” não permitem!
É ainda certo que somos das gerações mais preocupadas com as questões ambientais e ecológicas, fazemos a reciclagem (se não fazem, comecem já hoje, se faz favor) e somos ávidos consumidores de actividades culturais e artísticas: espectáculos de dança, música, teatro, exposições, instalações, performances, festivais de cinema, vídeo, multimédia, sets de dj’s e vj’s, hoje a oferta também é grande e variada. Só é pena que os bilhetes a cinco euros sejam só para jovens até aos trinta anos!
Voltando à minha ideia inicial… Sim, pertenço à geração dos trinta e com muito orgulho! Somos pessoas fortes, dinâmicas, determinadas e lutamos against all odds (curiosamente uma música dos anos 80, se bem se lembram, cantada pelo Phill Collins).
Patrícia Torres, 30 anos

terça-feira, agosto 28, 2007

A Magia de Sagres
Foram precisos trinta anos para eu conhecer um dos lugares mais bonitos e especiais de Portugal: Sagres.
De dia, deixamo-nos enfeitiçar pela beleza das suas praias, pelo sol que nos aquece o corpo e a alma, pelo cheiro trazido pela leve brisa marítima, pelas águas límpidas e macias de um mar infinitamente azul...
De noite, somos seduzidos pelo ambiente descontraído e divertido dos espaços, pela simpatia e hospitalidade das pessoas, por uma multiplicidade de sensações breves mas intensas...
Talvez existam outros lugares que se possam descrever desta forma, mas este é único... Há quem lhe chame "a magia de Sagres" e eu subscrevo.

quinta-feira, junho 07, 2007

Regresso
Há quanto tempo não vinha escrever no meu blog! Já tinha saudades! Tanta coisa que passou entretanto... Passou o Inverno, (quase) passou a Primavera, passou o tempo e, sem dar por isso, já fez um ano que estou na minha casa, o meu porto de abrigo das tempestades da vida!
Mas eu nem dei conta do tempo passar, pois tenho estado ocupada a fazer coisas que gosto, com pessoas de quem gosto muito e que têm um lugar muito especial no meu coração: os (meus) bombons!
Não sei dizer quando, como nem porquê começou a nossa amizade, mas, é daquelas coisas... Há pessoas que se cruzam na nossa vida, nem que seja por breves instantes, e que nos marcam de tal forma que temos a certeza que nunca as esqueceremos para onde quer que o destino nos leve - neste mundo ou fora dele...
Os nossos momentos juntos são únicos, irreptíveis (se bem que ocorrem quase sempre nos mesmos sítios!), inesquecíveis, inqualificáveis... Adoro-vos!!! B4E!!!!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

A Perda da Identidade Humana
Se há coisa que prezo na vida é a minha identidade (e obviamente a dos outros).... Saber que não existe mais ninguém no mundo igual a mim, quer física quer psicologicamente, é reconfortante e ao mesmo tempo um desafio e uma responsabilidade... Por isso, eis o meu espanto quando ouvi há dias comentar que agora anda por aí uma moda de as pessoas fazerem plásticas para serem iguais a alguém famoso, por exemplo, à Britney Spears... Inclusive os orientais querem mudar os seus traços característicos e tornarem-se mais "ocidentais"...
Mas o que é que se passa com as pessoas? Afinal, por que será que não há um único ser humano neste planeta com uma impressão digital igual? Por algum motivo há-de ser...
Qual é a piada de alguém ficar igual à Britney Spears? Por que não tiram proveito daquilo que já têm que é único e original?
Já não basta vivermos na era da globalização dos hábitos de vida a todos os níveis (no que comemos, no que vestimos, no que fazemos nos tempos livres), agora vem esta moda da globalização "física"?
Isto é assustador, porque a seguir à globalização "física" pode muito bem surgir a globalização "psicológica"... Que interessante seria pensarmos todos da mesma maneira! Nem Hitler teria pensado numa coisa dessas nos seus "wildest dreams"...
A riqueza da Humanidade, quanto a mim, reside na diversidade: de lugares, de climas, de culturas, de raças... Estamos a pôr em risco essa riqueza em troca de quê? De uns momentos de autoglorifcação? Status social? Compensação de frustrações (se elas existem, elas continuarão lá, mesmo com o aspecto da Britney Spears)?!?
Neste contexto "futurista" deixará de fazer sentido viajar, porque iremos aos Estados Unidos e só veremos Britney Spears a cada esquina e nem vale a pena fazer não sei quantas horas a ir para o outro lado do mundo porque só vamos encontrar pessoas com olhos redondos...
Cada ser humano é único e irreptível. Só existiu um Picasso, só existiu um Fernando Pessoa, só existiu uma Amália Rodrigues, só existiu/existe tanta e tanta gente que permaneceu/permanece no anonimato, mas nem por isso deixou/deixa de ser menos válida para a grande família humana...

Acerca de mim

A minha foto
Things that I love: friendship, kindness, devotion, learn new things, meet new people, a nice conversation, a good laugh, a cup of ginger tea, feel the sun in my face, contemplate the sea. Things that inspire me: people and their achievements*, quotes that bring light into my life*, music, poetry, new beginnings. *including mine