sábado, março 01, 2008

"Quando o homem perde a capacidade de escolher, deixa de ser homem"
A Clockwork Orange, 1971

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Breve Apontamento

O presidente de Timor e prémio Nobel da Paz em 1996, Ramos Horta, foi hoje baleado perto da sua residência e encontra-se em estado crítico.

Não, este blog não se tornou numa edição on-line de um jornal, mas quis assinalar o facto porque ele faz-nos (re)lembrar quão valiosas são a vida e a paz, mas ao mesmo tempo tão frágeis...

Nós nunca sabemos o que nos reserva o dia de amanhã e uma coisa é certa: ninguém é imune a nada, nem um presidente que foi Nobel da Paz, nem o comum dos mortais onde eu me incluo. Por isso devemos valorizar cada minuto (para não dizer cada segundo) da nossa vida e da paz em que, mal ou bem, vivemos.

Devemos valorizar as pequenas coisas do dia-a-dia, cada momento de felicidade que partilhamos com aqueles que amamos, e tantas, tantas coisas que desprezamos como se a vida fosse eterna ou intocável… Mas não é.

Lembremo-nos disto e todos os dias olhemos para o mundo como se fosse a primeira vez (e respeitemo-lo), digamos “Eu amo-te” ou “Tu fazes-me muito feliz” antes de ir para o trabalho ou depois de voltar, valorizemos cada palavra, cada gesto, cada olhar, cada sorriso, cada lágrima e espantar-nos-emos com a magia única e irrepetível que é a vida.

Ignorância, a quanto obrigas!

Há duas coisas neste mundo que afligem o meu ser inconstante: a loucura e a intolerância. Uma e outra podem ser verdadeiramente nefastas e até destrutivas.

A loucura é algo muito complexo e muito difícil de lidar. Acho que ninguém está preparado para enfrentar uma situação dessas, só os profissionais.

O mesmo não se passa com a intolerância. Ela só existe devido à ignorância que grassa por esse mundo fora.

A intolerância pode ser de diversos tipos – política, religiosa, social, etc – mas hoje só vou chamar a atenção para a intolerância social, mais concretamente, para a intolerância em relação ao que é diferente de nós.

A este propósito há um livro que toda a gente devia ler que é de um conhecido autor chileno (Luís Sepúlveda) e que se intitula História da Gaivota e do Gato que a ensinou a voar. Através de uma fábula, este autor ensina-nos (as fábulas têm sempre uma moral) a aceitar e respeitar aqueles que são diferentes de nós.

O ser humano tem uma certa tendência, ignominiosa, diga-se de passagem, de achar que ele é que está certo, que aquilo que ele conhece/pensa/faz/sabe (mesmo que seja só uma ínfima parcela da realidade) é que é correcto. Os que pensarem ou fizerem de maneira diferente não são válidos e são frequentemente alvo de chacota.

Vou dar um exemplo muito concreto.

Eu não como carne. Quantas e quantas vezes já senti na pele a intolerância, e a discriminação mesmo, por ser diferente numa coisa tão simples como a alimentação. Eu não quero impor nada a ninguém; se as pessoas querem consumir carne putrefacta (já sem falar na questão do sofrimento dos animais, em particular das vacas, que é um dos meus animais favoritos), com todas as consequências que isso traz para o organismo e para a sua saúde, que o façam: cada ser humano é livre de tomar as decisões que bem entende, desde que não afecte a liberdade dos outros, claro.

O que eu peço é que não “gozem” ou façam afirmações ridículas do género “Não comes carne? Comes o quê então?!?”…

A humanidade ainda tem um longo caminho a percorrer neste campo, mas a história tem provado uma coisa: aquilo que em certa época é visto com desconfiança ou é considerado absurdo, mais tarde ou mais cedo acaba por ser aceite ou verifica-se que afinal estava correcto...

PS: este site tem ou procura ter (na sua devida dimensão e humildade) uma vertente pedagógica. Nesse sentido deixo aqui os links da Associação Vegetariana Portuguesa http://www.avp.eco-gaia.net/ e da Sociedade Portuguesa de Naturalogia http://spn.eco-gaia.net/ para consulta por parte dos leitores interessados. Os que querem permanecer ignorantes estão no seu pleno direito (no hard feelings!).

MULHERES DE 30 À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS?
Somos lindas (atenção que não o digo no sentido meramente físico), independentes, seguras de nós próprias, sabemos o que queremos (e mais importante, o que não queremos) e estamos sozinhas. Porquê?
É cada vez maior o número de mulheres na faixa etária dos 30 aos 37 anos que é independente (óptimo), que vive sozinha (tem as suas vantagens e os seus inconvenientes) e que não tem namorado ou alguém com quem partilhar as tristezas e alegrias da vida (o que é bom se é por opção, o que é mau se é por imposição da sorte madrasta).
É certo que as mulheres (finalmente!) perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma linguiça, mas convenhamos que também só com a linguiça não se vai longe…
Há certas coisas que, por muito boa que seja a linguiça, ela nunca nos vai dar: amor, carinho, compreensão, etc, etc…
Será que é precisamente por sermos mulheres independentes, seguras, inteligentes e, como tal, de aparência pouco frágil (mas atenção, porque é só mesmo aparência), os homens sentem-se ameaçados, inferiorizados, inúteis?
Será que é por ser cada vez mais difícil encontrar homens interessantes, sensíveis, que saibam falar sobre algo mais do que futebol, que tenham sentido de humor, que não sejam uns energúmenos?!?
Seja qual for o motivo, a verdade que à noite deitamo-nos numa cama fria e de manhã não temos ninguém a dizer que nos ama (apesar do nosso ar desgrenhado de quem acabou de acordar)...
Escrito a 30/12/07

domingo, dezembro 16, 2007

"Há muita gente no mundo que morre por uma fatia de pão, mas há muita mais que morre por um pouco de amor"
Madre Teresa de Calcutá

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Obrigada, Salvador!
Acabei de assistir a um bom programa de televisão (coisa rara nos dias que correm), mais concretamente a uma entrevista da Judite de Sousa com Salvador Mendes de Almeida.
A vida deste jovem é um exemplo para todos nós, pois para alguém que julgamos ter perdido tudo, ele vem-nos ensinar que não perdeu, apenas ganhou: o valor da amizade, de ajudar os outros e de que a vida vale a pena ser vivida, apesar das adversidades (que só nos tornam mais fortes, e não mais fracos, como poderíamos à partida pensar).
Venham mais programas como este e exemplos de vida como o do Salvador para não darmos tanta relevância às coisas materiais e valorizarmos mais outras facetas da vida, essas sim realmente importantes!

quarta-feira, novembro 14, 2007

Lisboa é, provavelmente, das cidades mais bonitas do mundo (não digo que é A mais bonita para não ferir susceptibilidades nem criar invejas)! Experimentem atravessar o rio Tejo por volta das 17.30h, nesta altura do ano, num daqueles (míticos) cacilheiros que fazem a travessia de Cacilhas para Lisboa e, de preferência, a ouvirem uma boa música como, por exemplo, "Bachelorette" da Björk do álbum "Homogenic"... É lindo, não é?

terça-feira, outubro 30, 2007

Mundo de contrastes
Este em que vivemos, onde há lugares (Gana) com escravatura infantil, em pleno século XXI, e, ao mesmo tempo, onde há outros lugares que comercializam cremes de rosto a preços, no mínimo, exurbitantes (Sensai Premier – The Cream [Kanebo International] 660 €, 40 ml)!
[Dá que pensar...]
No entanto, são necessários apenas 1.000 € para alimentar uma criança durante 1 ano nos orfanatos que as organizações não-governamentais, contra tudo e contra todos, conseguem erigir em zonas do planeta pobres e desumanas em todos os sentidos.
[Dá que pensar...]
Por isso, basta não comprar um pote de creme no valor de 660€ e poupar mais uns trocados (340 €) e já se pode contribuir com os tais 1000€... Isso é que era uma prenda de Natal original, não acham?

sexta-feira, outubro 26, 2007

No seguimento do "post" anterior...
Há uma coisa que sempre me intrigou: por que é que o ser humano tem necessidade constante de se evidenciar?
Se repararmos bem, a maior parte das pessoas está sempre a tentar evidenciar-se de alguma forma: ou pelo aspecto físico, ou pelo dinheiro que tem, ou pelas pessoas "importantes" que conhece, ou pela quantidade de livros que já leu ou escreveu, ou porque o filho nasceu com não sei quantos quilos e é lindo, enfim a lista é imensa, eu ficava aqui a noite toda...
Será que custa muito encarar a vida de forma natural e não fazer um grande alarido da mais ínfima coisa e estar sempre a mostrar aos outros "que se é isto ou aquilo", "eu faço e aconteço"...
Anda para aí muita gente iludida, por exemplo, gente loira que toca em bandas de covers e que se acha "muita bom" (esta é uma private, só um amigo meu é que vai entender, espero).
Acreditem que as pessoas que mais contribuíram para feitos importantes na história da humanidade eram discretas, simples e não andavam a apregoar aos 4 ventos o que faziam...
Ainda agora nos prémios Nobel, tirando o Al Gore, alguém já tinha ouvido falar daquelas pessoas?
Os inúteis deviam ser banidos da face da Terra?
Hoje recebi (mais) uma sms de uma amiga minha a dizer que o filho já tinha nascido, tendo o cuidado de indicar a hora e o peso do rebento.
A menos que eu queira enveredar pela carreira astrológica ou pela carreira nutricional, o que me interessa saber a hora e o peso do filho da minha amiga?
Além disso, este tipo de sms deixa-me sempre um tanto ou quanto deprimida, por dois motivos, a saber: as pessoas podem não se lembrar dos amigos o resto do ano inteiro, nem sequer lhes mandar uma sms a perguntar "Como estás, o que tens feito?" ou a dar os parabéns no dia de aniversário (10 de Agosto, não se esqueçam!), mas há duas situações em que nos mandam sms de certeza absoluta: quando se casam e quando têm filhos. Será que as pessoas não percebem que esses momentos são muito felizes, sem dúvida, (e é claro que eu fico feliz pelos amigos), mas são felizes apenas para eles? Eu também ficarei entusiasmada quando um filho meu nascer (se é que isso alguma vez irá acontecer), mas não vou desatar a mandar sms a toda a gente a dizer a que horas ele nasceu, o peso e que ele é lindo (por acaso gostava de "ouvir" alguém dizer "Epá, o meu filho é horrível, muita feio mesmo, não sei a quem é que ele sai"...
O outro motivo pelo qual fico deprimida é que este tipo de sms "lembra-me" que tenho 30 anos o que me leva a colocar a seguinte questão: o que é que eu fiz da minha vida até agora? Nada de significativo, nem para mim, nem para a humanidade. Ou seja, basicamente ando aqui há 30 anos a consumir os recursos do planeta Terra e o que é que eu lhe dei em troca? Zero, nada, niente, nothing, rien de rien... Não plantei nenhuma árvore, não escrevi nenhum livro e não tive nenhum filho (nem sequer tenho namorado, quanto mais)!
Falhada é o que eu sou, falhei completamente enquanto ser humano!
Pergunto-me se ainda haverá recuperação possível para o meu caso... Enquanto penso nisso, nada mais adequado do que ouvir a música "To Wish Impossible Things" do álbum Wish dos The Cure.

terça-feira, outubro 02, 2007

O mundo não é das minorias
Definitivamente. Vejam-se estes dois exemplos simples: nos supermercados, só há promoções para levarmos produtos em quantidades industriais (o que para uma pessoa sozinha é inútil); as pessoas solteiras e os homossexuais (os segundos não podendo casarem-se, segundo a lei em vigor) pagam tanto de impostos como um casal heterossexual, and so on...
Pedindo desde já perdão às restantes minorias, vou dedicar estas breves linhas a uma minoria em particular: a minoria à qual pertenço que é a dos solteiros com trinta anos, sem filhos e "sem nada de importante para fazer na vida". Como tal, temos a "obrigação" de levar com as conversas dos casados, com ou sem filhos, que, basicamente, são sobre eles, os sogros e os filhos, quando os há ("já diz muitas palavras para a idade", "já aprendeu a usar o bacio", etc). Para estas pessoas, o mundo gira em torno delas, e quando (se) nos perguntam se estamos bem, o que andamos a fazer (e pouco mais do que isso) têm o cuidado de nos dar não mais de cinco minutos para responder, não vá o/a infeliz começar a falar muito da sua vida social activa que eles deixaram de ter, em quantidade e em qualidade...
Peço desculpa se não tenho histórias fascinantes e hilariantes de sogras e de fraldas para contar! Tenho outras... Mas duvido que haja alguém interessado em escutá-las.

sexta-feira, setembro 21, 2007

A propósito de um artigo publicado numa revista semanal sobre a geração dos trinta
Sim, também pertenço a esta geração e com muito orgulho, apesar de todas as adversidades que possam daí advir… É certo que sofremos do síndroma da instabilidade profissional e quanto a mim é inadmissível uma pessoa ter andado tantos anos a estudar, a investir na sua formação e não conseguir trabalho ou ter trabalhos precários e mal pagos. Mas por outro lado, temos uma mobilidade que, por força das circunstâncias, acaba por ser benéfica… Eu pelo menos não seria capaz de passar trinta ou quarenta anos da minha vida a ir para o mesmo sítio todos os dias, ver sempre as mesmas caras e fazer sempre a mesma coisa!
Também é certo que saímos cada vez mais tarde de casa dos nossos pais, mas a vida também é diferente… A minha mãe teve-me aos vinte e dois anos, idade com que eu estava a terminar a Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses (sim, também pertenço ao vastíssimo grupo de pessoas que não conseguiu seguir a carreira docente). E ainda ao invés do exemplo materno, que se casou aos vinte anos, eu ainda não sou casada e há cerca de ano e meio tomei a decisão de viver sozinha. Aliás, é cada vez mais comum haver pessoas da minha idade a viverem sozinhas, homens e mulheres que precisam de ter um tempo para se descobrirem a si próprios enquanto ser humanos livres e autónomos, antes de se lançarem na aventura de constituir família e ter filhos, aventura essa que obriga a grandes despesas que os tais “trabalhos precários e mal pagos” não permitem!
É ainda certo que somos das gerações mais preocupadas com as questões ambientais e ecológicas, fazemos a reciclagem (se não fazem, comecem já hoje, se faz favor) e somos ávidos consumidores de actividades culturais e artísticas: espectáculos de dança, música, teatro, exposições, instalações, performances, festivais de cinema, vídeo, multimédia, sets de dj’s e vj’s, hoje a oferta também é grande e variada. Só é pena que os bilhetes a cinco euros sejam só para jovens até aos trinta anos!
Voltando à minha ideia inicial… Sim, pertenço à geração dos trinta e com muito orgulho! Somos pessoas fortes, dinâmicas, determinadas e lutamos against all odds (curiosamente uma música dos anos 80, se bem se lembram, cantada pelo Phill Collins).
Patrícia Torres, 30 anos

terça-feira, agosto 28, 2007

A Magia de Sagres
Foram precisos trinta anos para eu conhecer um dos lugares mais bonitos e especiais de Portugal: Sagres.
De dia, deixamo-nos enfeitiçar pela beleza das suas praias, pelo sol que nos aquece o corpo e a alma, pelo cheiro trazido pela leve brisa marítima, pelas águas límpidas e macias de um mar infinitamente azul...
De noite, somos seduzidos pelo ambiente descontraído e divertido dos espaços, pela simpatia e hospitalidade das pessoas, por uma multiplicidade de sensações breves mas intensas...
Talvez existam outros lugares que se possam descrever desta forma, mas este é único... Há quem lhe chame "a magia de Sagres" e eu subscrevo.

quinta-feira, junho 07, 2007

Regresso
Há quanto tempo não vinha escrever no meu blog! Já tinha saudades! Tanta coisa que passou entretanto... Passou o Inverno, (quase) passou a Primavera, passou o tempo e, sem dar por isso, já fez um ano que estou na minha casa, o meu porto de abrigo das tempestades da vida!
Mas eu nem dei conta do tempo passar, pois tenho estado ocupada a fazer coisas que gosto, com pessoas de quem gosto muito e que têm um lugar muito especial no meu coração: os (meus) bombons!
Não sei dizer quando, como nem porquê começou a nossa amizade, mas, é daquelas coisas... Há pessoas que se cruzam na nossa vida, nem que seja por breves instantes, e que nos marcam de tal forma que temos a certeza que nunca as esqueceremos para onde quer que o destino nos leve - neste mundo ou fora dele...
Os nossos momentos juntos são únicos, irreptíveis (se bem que ocorrem quase sempre nos mesmos sítios!), inesquecíveis, inqualificáveis... Adoro-vos!!! B4E!!!!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

A Perda da Identidade Humana
Se há coisa que prezo na vida é a minha identidade (e obviamente a dos outros).... Saber que não existe mais ninguém no mundo igual a mim, quer física quer psicologicamente, é reconfortante e ao mesmo tempo um desafio e uma responsabilidade... Por isso, eis o meu espanto quando ouvi há dias comentar que agora anda por aí uma moda de as pessoas fazerem plásticas para serem iguais a alguém famoso, por exemplo, à Britney Spears... Inclusive os orientais querem mudar os seus traços característicos e tornarem-se mais "ocidentais"...
Mas o que é que se passa com as pessoas? Afinal, por que será que não há um único ser humano neste planeta com uma impressão digital igual? Por algum motivo há-de ser...
Qual é a piada de alguém ficar igual à Britney Spears? Por que não tiram proveito daquilo que já têm que é único e original?
Já não basta vivermos na era da globalização dos hábitos de vida a todos os níveis (no que comemos, no que vestimos, no que fazemos nos tempos livres), agora vem esta moda da globalização "física"?
Isto é assustador, porque a seguir à globalização "física" pode muito bem surgir a globalização "psicológica"... Que interessante seria pensarmos todos da mesma maneira! Nem Hitler teria pensado numa coisa dessas nos seus "wildest dreams"...
A riqueza da Humanidade, quanto a mim, reside na diversidade: de lugares, de climas, de culturas, de raças... Estamos a pôr em risco essa riqueza em troca de quê? De uns momentos de autoglorifcação? Status social? Compensação de frustrações (se elas existem, elas continuarão lá, mesmo com o aspecto da Britney Spears)?!?
Neste contexto "futurista" deixará de fazer sentido viajar, porque iremos aos Estados Unidos e só veremos Britney Spears a cada esquina e nem vale a pena fazer não sei quantas horas a ir para o outro lado do mundo porque só vamos encontrar pessoas com olhos redondos...
Cada ser humano é único e irreptível. Só existiu um Picasso, só existiu um Fernando Pessoa, só existiu uma Amália Rodrigues, só existiu/existe tanta e tanta gente que permaneceu/permanece no anonimato, mas nem por isso deixou/deixa de ser menos válida para a grande família humana...

sábado, fevereiro 03, 2007

O pomo da discórdia
Bem sei que já tinha publicado neste meu blog um texto relacionado com a questão do aborto, mas não resisto a voltar a este assunto, até porque o referendo é já daqui a alguns dias...
Devo dizer que reequacionei a minha visão sobre este tema que tantas divergências e posições radicalizadas tem suscitado.
Quer os defensores do "não" quer os defensores do "sim" apresentam argumentos (mais ou menos) válidos para justificar as suas posições, porém, nem o "não" nem o "sim" constituem solução para este problema que afecta de forma bem real a sociedade portuguesa.
Se o "não" ganhar, não é por isso que se vão deixar de se fazer abortos, em certos casos feitos em condições deploráveis...
Se o "sim" ganhar, não acredito que se erradique de uma vez por todas o aborto clandestino... A verdadeira solução para este problema reside apenas numa única e simples questão: a educação.
Se as pessoas - mulheres e homens - estiverem devidamente informadas e forem devidamente educadas, acredito que o aborto diminuirá drasticamente e arrisco a dizer que só será feito em situações excepcionais. Todavia, caso estas surjam, creio que deverá sempre caber à mulher a última palavra sobre o que ela considera melhor para si em determinado momento e em determinadas circunstâncias. A mulher deve ter o direito de decidir sobre si - é isso que nos distingue dos animais irracionais: a capacidade de pensar, de decidir, de optar - e não, só porque é "jovem e saudável", ser obrigada a ter um filho e quando não o quer ter ainda ser penalizada por isso.
Portanto: implemente-se de uma vez por todas - sem margem para hipocrisias - o ensino sexual nas escolas, porque, como sabemos, os jovens iniciam a sua vida sexual cada vez mais cedo e devem estar informados não só sobre como evitar uma gravidez indesejada, mas também como evitar as doenças sexualmente transmissíveis e o temível HIV (SIDA); facilite-se, o mais possível, o acesso às consultas de planeamento familiar e aos métodos contraceptivos, mesmo nas escolas, pois há muitos jovens que não se dirigem aos centros de saúde ou não vão a uma farmácia comprar preservativos porque têm medo/vergonha que os pais, os vizinhos, os amigos saibam; organize-se sessões de esclarecimento sobre contracepção em Juntas de Freguesia, em escolas, em bairros sociais desfavorecidos; crie-se uma unidade móvel que vá ao encontro das pessoas, mesmo nos lugares mais remotos de Portugal, porque também lá as pessoas precisam de ser esclarecidas e ajudadas; divulgue-se um site, da responsabilidade do ministério da saúde em parceria com o ministério da educação e outras entidades, que possa responder às dúvidas de quem o consultar.
Todas estas propostas são medidas concretas que visam solucionar a médio/longo prazo o problema do aborto em vez de perder tempo com discussões sobre quando começa a vida, se é às 5, 10, 15 ou 20 semanas...
É muito mais fácil para o governo fazer um referendo para "lavar as suas mãos" como Pilatos do que levar a cabo medidas sérias como, por exemplo, para além destas que mencionei, proporcionar melhores condições de trabalho e de vida aos Portugueses para que estes possam ter (mais) filhos, incentivar ao crescimento da taxa de natalidade através do aumento significativo dos abonos de família que, neste momento, não dão sequer para as fraldas, proporcionar uma educação básica realmente "gratuita" na prática e não apenas no papel.
Talvez assim possamos estar no bom caminho para evitar uma situação que se repete dia após dia e para a qual um mero "não" ou um mero "sim" não são de certeza a solução mais viável...

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Feliz(?) Ano Novo
Ora aqui está mais um do rituais que é todos os anos a mesma coisa, não falha! À meia-noite, bebe-se o champanhe, come-se as 12 passas, vê-se o fogo de artifício, e é sempre a mesma coisa, em todo o mundo... Ou quase... Por que é que nunca mostram imagens da passagem do ano em África ou nas favelas do Brasil? Pelo menos sempre era diferente, pois já cansa ver o fogo de artíficio da Madeira, da Praça do Comércio e das restantes capitais do mundo "civilizado"...
Mas, afinal, as pessoas ficam eufóricas e felizes com a passagem do ano, porquê? E, já agora, por que se diz "Feliz Ano Novo"?
Os preços aumentam em quase tudo (se bem que os ordenados continuam a ser os mesmos), ficamos um ano mais velhos (mais cabelos brancos ou menos cabelo, mais reumático, menos dentes, etc), a vida se for uma merda, continuará a sê-lo, a menos que saia o euromilhões ou se encontre alguém que realmente nos ame por aquilo que somos (qualidades e defeitos)...
De facto, não consigo perceber a razão de tanta euforia... E eu até gosto de fogo de artifício, mas acho um exagero... Aliás, é tudo em exagero: a euforia, a quantidade de álcool ingerida, a quantidade de pessoas na rua, nos bares, o trânsito caótico...
Também faz parte do ritual, pedir desejos para o novo ano...
Para 2007, o meu desejo é... Não, não vou desejar paz para o mundo, porque por mais que o faça isso não irá acontecer (mais depressa as galinhas têm dentes)...
O meu desejo é... Não, também não vou pedir que a fome e a pobreza sejam erradicadas, pois isso também está muito longe de se concretizar, já que os ricos querem ser cada vez mais ricos (refiro-me tanto a pessoas em nome individual como aos países e às empresas) e estão-se a cagar para o facto de haver crianças a morrer de fome no Siri Lanka ou em qualquer outra parte do globo...
Desejo que... As pessoas sejam menos "trolhas" (como diz um amigo meu) e mais críticas e reivindicativas (caso contrário, os políticos e os poderosos agradecem); também gostaria que fossem mais solidárias e isso pode começar nas mais pequenas coisas, no nosso dia-a-dia; no geral, desejo o melhor para todos (e para mim, claro) e que cada um de nós encontre o seu caminho, seja ele qual for...

terça-feira, dezembro 26, 2006

"I know there were days that I left you when you needed me most, so please forgive me for the times that I made you cry. Life sent to me signs to know how simple things matter. If I didn’t realize I'll try to do my best so I don’t fail this time. Not anymore. I guess this must be a kind of a modern love because I’ll love till the day that I die".
Não, não fui que escrevi este texto, mas "divulgo-o" na mesma, porque é muito bonito (simples, mas bonito e muito verdadeiro, quanto a mim) e porque a música que lhe está asssociada é muito bonita também... Pertence aos The Gift, ao álbum AM-FM... Recomendo vivamente que oiçam a música e já agora o resto do álbum...

segunda-feira, dezembro 25, 2006

A importância de(o) ser humano
Há um livro muito interessante de um conhecido autor chileno que chama a atenção para o facto de termos muita dificuldade em aceitar aqueles que são diferentes de nós... As guerras são um bom exemplo - real e cruel - deste facto. [...] Para que exista paz no mundo, é essencial que, de uma vez por todas, se coloque a Vida acima de todas as diferenças. Quando uma pessoa sofre, antes de ser homem ou mulher, jovem ou velho, branco ou preto, cristão ou muçulmano, homossexual ou heterossexual, essa pessoa é um ser humano e nada mais importa! Se superarmos o que nos separa, se combatermos as injustiças, se ajudarmos os que precisam, bastando para isso compreender que estamos a ajudar alguém que, tal como nós, é feito de carne e osso, então conseguiremos amar verdadeiramente o Próximo e encontrar a paz eterna... Dentro de nós!
Escrito a 27/10/01; revisto e adaptado a 25/12/06.

sábado, novembro 25, 2006

E eis que falta apenas 1 mês para o Natal! Isso significa que estamos na recta final deste ano de 2006... Como é que o tempo passou tão rápido? Tenho a sensação que estes meses passaram a voar... Talvez porque estive (e estou) muito ocupada, talvez porque este foi um ano de muitas mudanças, com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo...
Confesso que não sou grande fã do Natal... Em termos religiosos e gastronómicos não me diz nada... Depois aquela correria desenfreada das pessoas às lojas para comprar os presentes (se uma pessoa não se desvia, pode até ser abalrroada), o trânsito que é mais caótico do que o costume, as filas para tudo e mais alguma coisa... Por que será que as pessoas correm tanto? Qual o motivo que as impele? Será o mero consumo, sendo que o significado do Natal já pouco ou nada interessa?...
Esta é - supostamente - uma época de paz... Não quero ser pessimista, mas paz é coisa que nunca existiu (alguma vez existirá?) neste mundo... Se pensarmos na paz interior, bem, isso já é diferente... Talvez seja uma boa altura para encontrar a paz interior que muitos de nós procuram... Julgo que essa "paz interior" passa muito por perdoarmos a quem nos ofendeu. Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido... Será isso possível? Conseguiremos nós efectivamente perdoar?...
Só há uma coisa que gosto no Natal: as iluminações, sobretudo a árvore que está na Praça do Comércio que acabou de ser inaugurada...

Acerca de mim

A minha foto
Things that I love: friendship, kindness, devotion, learn new things, meet new people, a nice conversation, a good laugh, a cup of ginger tea, feel the sun in my face, contemplate the sea. Things that inspire me: people and their achievements*, quotes that bring light into my life*, music, poetry, new beginnings. *including mine